UNIVERSIDADE
ESTADUAL PAULISTA
FACULDADE DE
MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA
CAMPUS DE
BOTUCATU
ADITIVOS
Luiz
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia como
parte das exigências para obtenção do título de Mestre.
BOTUCATU – SP
Junho – 2004
UNIVERSIDADE
ESTADUAL PAULISTA
FACULDADE DE
MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA
CAMPUS DE BOTUCATU
ADITIVOS
Luiz
Médico Veterinário
ORIENTADOR: Prof. Dr.
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia como parte
das exigências para obtenção do título de Mestre.
BOTUCATU – SP
Junho - 2004
DEDICO
Ao Mestre Mokiti Okada, espero que este trabalho contribua na construção
de uma Nova Civilização, isenta da doença, da pobreza e do conflito.
Aos meus antepassados, pelo nome que recebi e que honrarei na
construção de uma vida útil à sociedade.
Aos meus superiores na Igreja Messiânica Mundial do Brasil e na Korin Agropecuária
e Agricultura Natural Ltda., que me concederam as orientações para o
desenvolvimento de uma consciência espiritualista e altruísta, e cujo apoio e
confiança foram cruciais para o término deste trabalho.
À Mônica Ap. de Oliveira Demattê, minha esposa, pelo exemplo de força,
paciência e compreensão, atributos que, creio, Deus conceda de maneira especial
às mulheres.
Ao meu pai, Luiz Carlos Saragiotto Demattê, que no seu sábio silêncio,
me concedeu as bases de uma vida digna.
À minha mãe, Vera Langella Demattê, que em um ambiente pleno de amor e
cuidados, me tornou uma pessoa equilibrada e feliz.
AGRADECIMENTOS
A todos os professores do Programa de
Pós-Graduação em Zootecnia, representados pelo meu orientador Professor Dr.
Ao
À Fundação Mokiti Okada, pela bolsa de
estudos concedida permitindo-me prosseguir no desenvolvimento deste trabalho.
Ao Centro de
Pesquisa da Fundação Mokiti Okada, pelo apoio e disponibilidade de pessoal e
equipamentos para condução dos experimentos.
Aos funcionários da Korin, Cecília M.
Ifuki Mendes,
Ao Sérgio
Kenji Homma, que nas conversas casuais no ambiente de trabalho,
concedeu-me valiosas orientações sobre a Agricultura Natural.
À Luciene Aparecida Madeira, Jane
Cristina Gonçalves, Daniela
Aos estagiários Fabíola H. S. Fogaça,
Simone M. Alessandri, Silvana E. Tiba, Marcos Aurélio Sousa e Rose E. P.
Pereira pelo auxílio na condução dos experimentos.
Ao
À
O SEGREDO DA EXPANSÃO ESTÁ NA FORTE
VONTADE DE CRESCER
Existe um único ponto de vital importância. É a forte vontade de
crescer e expandir, custe o que custar. Esta atitude é fundamental.
O pior pensamento a seu próprio respeito é achar que “não tem
capacidade”. Pense: “Eu também sou um ser humano. Se aquela pessoa está
fazendo, eu também serei capaz de fazer”.
A pessoa que nunca desiste, com uma forte determinação para realizar o
seu trabalho – mesmo que cometa falhas ou que seja ridicularizado pelos outros
– certamente crescerá bastante. Eu próprio trabalho com essa atitude. Porém,
aquela que desiste após o primeiro fracasso não serve, de fato, para o
trabalho.
Há um provérbio que diz “a resignação é importante”. Em algumas
circunstâncias isso é verdadeiro mas, neste caso, “a não resignação é
fundamental”, portanto, deve-se desistir quando a causa não for boa e pelo
contrário, ter forte determinação para as boas causas.
Mokiti Okada, 1950
SUMÁRIO
CAPÍTULO
I - Considerações iniciais
.................................................. 01
1.
PROMOTOR DE CRESCIMENTO
............................................... 02
2.
PERIGOS DOS RESÍDUOS
......................................................... 05
3.
CRIAÇÃO ALTERNATIVA
............................................................ 07
3.1. O trabalho da Korin Agropecuária
Ltda.................................. 11
4.
ALTERNATIVAS AOS PROMOTORES DE CRESCIMENTO DE BASE ANTIBIÓTICA
..................................................................... 13
4.1. Probióticos
............................................................................. 15
4.2. Prebióticos
............................................................................. 17
4.3. Simbióticos
............................................................................. 19
4.4. Aditivos fitogênicos
............................................................... 19
4.5. Ácidos
orgânicos .................................................................... 21
4.6. Enzimas
................................................................................. 23
4.7. Bokashi
.................................................................................. 24
4.8.
Microrganismos eficazes (EM) .............................................. 27
5.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
............................................. 30
CAPÍTULO II. Níveis de inclusão e tipos de
bokashi na criação alternativa de frangos de corte
........................................................... 44
RESUMO ........................................................................................... 45
ABSTRACT
....................................................................................... 46
INTRODUÇÃO
.................................................................................. 47
MATERIAL E MÉTODOS
................................................................. 48
RESULTADOS E DISCUSSÃO
....................................................... 52
CONCLUSÕES
................................................................................ 57
REFERÊNCIAS
................................................................................ 58
CAPÍTULO III. Uso de bokashi e aditivos comerciais em
dietas para frangos de corte criados no sistema alternativo....................... 61
RESUMO
......................................................................................... 62
ABSTRACT
...................................................................................... 63
INTRODUÇÃO .................................................................................. 64
MATERIAL E MÉTODOS
.................................................................. 65
RESULTADOS E DISCUSSÃO
......................................................... 69
CONCLUSÕES
................................................................................. 76
REFERÊNCIAS
................................................................................. 77
CAPÍTULO IV. Implicações................................................................... 82
ÍNDICE DE
TABELAS
Capítulo II
|
Tabela 1. Composição e valores calculados das rações
experimentais .... |
49 |
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Tabela 2. Peso inicial (PI), peso final
(PF), ganho de peso (GP), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração (CR),
conversão alimentar (CA) e mortalidade (MORT) de frangos de corte no período
de |
52 |
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Tabela 3. Peso final (PF), ganho de peso
(GP), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração (CR), conversão alimentar
(CA), mortalidade (MORT) e fator de produção (FP) de frangos de corte no
período de |
53 |
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Tabela 4. Peso vivo e rendimento de carcaça,
partes e gordura abdominal de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo
o tipo de bokashi e o nível de inclusão
............................................ |
54 |
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Tabela 5. Desdobramento da interação entre o tipo de Bokashi
e o nível de inclusão para o rendimento de carcaça eviscerada (%) de frangos
de corte aos 42 dias de idade ......................................... |
55 |
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Tabela
6. Peso relativo de órgãos (%) e comprimento (cm) do intestino delgado e do
intestino grosso de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo o tipo de
bokashi e o nível de inclusão .......... |
55 |
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Tabela
7 Perímetro das vilosidades, profundidade de cripta, número de células caliciformes
e relação caliciforme:enterócitos do duodeno, jejuno e íleo de frangos de
corte aos 42 dias de idade, segundo o tipo de bokashi e o nível de inclusão
.......................... |
56 |
Capítulo III
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Tabela 1. Composição e valores calculados das rações
experimentais .. |
66 |
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Tabela 2. Níveis de inclusão (%) dos aditivos às rações
experimentais... |
67 |
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Tabela 3. Peso final (PF), ganho de peso (GP),
ganho de peso diário (GPD), consumo de ração (CR), conversão alimentar (CA) e
mortalidade (MORT) nos períodos de |
70 |
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Tabela 4. Rendimento de carcaça, partes e
gordura abdominal de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo inclusão
de aditivo
......................................................................................... |
73 |
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Tabela
5. Peso relativo de órgãos (%) e comprimento (cm) do intestino delgado e do
intestino grosso de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo a inclusão
de aditivos .................................. |
74 |
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Tabela
6. Perímetro das vilosidades, profundidade de cripta, número de células
caliciformes e relação caliciforme:enterócitos do duodeno, jejuno e íleo de
frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo a inclusão de aditivos
.................................................... |
76 |
CAPÍTULO I
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
1. Promotor de crescimento
Os promotores de crescimento
e de eficiência alimentar são aditivos antimicrobianos de uso generalizado na
produção animal, sendo suplementados às rações em pequenas dosagens. Esses
produtos incluem os antibióticos, que são substâncias produzidas por fungos,
leveduras ou bactérias e que atuam contra bactérias e os quimioterápicos, que
incluem substâncias obtidas por síntese química, com ação semelhante à dos
antibióticos (Menten, 2001).
Até hoje o mecanismo de ação
destas substâncias é motivo de controvérsias. De modo geral, seus efeitos podem
ser agrupados em três categorias: metabólico, nutricional e controle de
doenças. Destes, admite-se que o modo de ação primário é o controle de doenças,
promovendo equilíbrio na microflora gastrintestinal, reduzindo as bactérias
indesejáveis (Gram +) e favorecendo a colonização das desejáveis (Gram -)
(Sunde et al., 1990). Esse mecanismo de ação é explicado pelo fato de que
ocorrem melhores respostas ao uso de antimicrobianos em animais jovens em
relação aos mais velhos, em meio ambientes mais contaminados do que nos limpos
e em animais com menor resistência a doenças do que
nos mais saudáveis (Nrc, 1994). Por outro lado, a manipulação inadequada da
flora bacteriana nociva através do uso de promotores de crescimento,
quimioterápicos e/ou antibióticos em doses preventivas, pode induzir o
desequilíbrio da flora bacteriana e desencadear processos entéricos devido às
interações indesejáveis com outros patógenos (Hoemberg et al., 1984 citados por
Ito et al., 2000).
Um aspecto relevante a ser
considerado é a possibilidade de seleção, por antimicrobianos, de bactérias
resistentes na flora intestinal dos animais e do ser humano (Palermo Neto,
2002). Considera-se como resistente a bactéria capaz de sobreviver ou resistir
às concentrações inibitórias ou bactericidas que o antibiótico pode atingir no
sangue e tecidos do organismo humano. Atualmente, muitas infecções são causadas
por bactérias resistentes a diferentes antibióticos, o que, sem dúvida, é um
sério problema em terapêutica.
Os antibióticos têm uma
ampla utilização na produção animal, visto que 50% de todo antibiótico
utilizado na União Européia é destinado à utilização em animais, sendo 14%
utilizados como promotores de crescimento e 36% de uso terapêutico (Mellor,
2000). Europa, Suécia e Dinamarca foram os primeiros países a estabelecerem
programas de controle de uso de antibióticos na produção animal. Em
De fato, ao redor do mundo
tem sido documentada resistência bacteriana a muitos tipos de antibióticos, porém
as relações desses achados com as implicações na saúde humana não estão bem
demonstradas (Newman, 2002). Porém, há evidências cada vez maiores da relação
entre resistência bacteriana em terapêutica humana e o uso de antibióticos em
rações para animais (Ferket et al., 2002). De maneira geral, sabe-se que a
resistência bacteriana tende a declinar rapidamente após a suspensão do uso dos
antibióticos, devido a ser uma resposta fisiológica das bactérias, que pode ser
facilmente perdida na medida em que não é mais necessária. Entretanto, em um
trabalho com suínos conduzido na Universidade de Kentucky, Estados Unidos,
retirando-se os agentes antimicrobianos de uso terapêutico e profilático dos
animais, com o intuito de avaliar os diversos fatores envolvidos no
desenvolvimento da resistência bacteriana, encontraram-se populações de
bactérias resistentes aos antibióticos rotineiramente utilizados antes da
retirada, mesmo após 26 anos (Newman, 2002).
No Brasil, produtos que
foram utilizados no passado e hoje estão proibidos como aditivos de rações
incluem tetraciclinas, penicilinas, sulfonamidas sistêmicas, cloranfenicol,
proibidas pela portaria no 193 de 12 de maio de 1998 do Ministério da Agricultura e da Reforma Agrária. O nitrovin, o ácido 3-nitro e o ácido arsanílico
foram banidos pela portaria no 031 de 29 de janeiro de 2002, da Secretaria
de Apoio Rural e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento e a
nitrofurazona e furazolidona, proibidas pela instrução
normativa no
9, de 27 de junho de 2003 do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento.
A avoparcina foi suspensa pela União Européia a partir de 1o de abril de 1997, e o Ministério da Agricultura do Brasil acompanhou a União Européia na suspensão desta. Atualmente, os aditivos autorizados pelo Ministério da Agricultura como promotores de crescimento de frangos de corte no Brasil são: avilamicina, colistina, flavomicina, lincomicina, olaquindox, tilosina, virginiamicina, bacitracina de zinco, espiramicina e enramicina (Menten, 2001).
Na Europa, atualmente,
apenas 4 substâncias ainda podem ser utilizadas como promotores de crescimento:
monensina e salinomicina, que são ionóforos, e avilamicina e flavomicina.
Baseado no conceito de precaução, esses antibióticos deverão ser proibidos como
promotores de crescimento a partir de janeiro de 2005, assim como os
coccidiostáticos e histomonostáticos a partir de janeiro de 2009 (Comunidade
Européia, 2002).
Em
Também nos Estados Unidos,
neste mesmo período, a consideração dos riscos mesmo que não embasados por
extensivos dados, provocou uma regulamentação oficial para proibir alguns
antibióticos como tilosina, bacitracina de zinco, espiramicina e virginiamicina
para uso em animais domésticos (Hulet, 2002).
2. Perigos dos resíduos
Depois de muitos anos de uso
dos aditivos antimicrobianos na alimentação animal, esses produtos passaram a
ser vistos como fatores de risco para a saúde humana e a continuidade de sua
aplicação sofreu contestações em duas frentes: a) presença de resíduos na
carne, ovos ou leite que entram na alimentação humana (estes resíduos podem ser
os próprios aditivos ou seus metabólitos, acumulados nos produtos comestíveis);
os riscos potenciais incluem desde reações de hipersensibilidade até
propriedades cancerígenas; b) indução de resistência cruzada de bactérias
patogênicas para humanos (Mentem, 2001). Exemplificando temos o caso da
furazolidona e furataldona, dois antimicrobianos da classe dos nitrofuranos,
banidos em todo o mundo, inclusive no Brasil, para uso como promotor de
crescimento devido à sua biotransformação em 3-amino-2-oxazolidinona (AOZ) e
3-amino-5-morfolino-2-oxazolidinona (AMOZ), respectivamente (Horne et al.,
1996). A AOZ em meio ácido, como o do estômago de eventuais consumidores,
transforma-se em hidroxietilhidrazina, uma molécula que possui comprovada
atividade mutagênica e carcinogênica (Horne et al, 1996). Os metabólitos da
biotransformação desses nitrofuranos permanecem ligados de forma covalente às
proteínas teciduais do organismo de animais tratados, por um tempo não inferior
a 3 meses (Palermo Neto, 2003) e, obviamente, chegaram à mesa de uma infinidade
de consumidores. Além disso, os testes toxicológicos são conduzidos em animais
e com uma substância sendo testada por vez, de forma que é praticamente
impossível conhecer a totalidade do potencial tóxico para seres humanos, pois
estes recebem vários tipos de resíduos
quando se alimentam de alimentos de origem vegetal e animal.
Principalmente na Europa, a
insegurança advinda da contaminação de ovos e leite por dioxina, da ameaça do
“mal de Creutzfeldt-Jakob”, variante humana da encefalopatia espongiforme
bovina (“mal da vaca louca”) e da epidemia de febre aftosa forneceram subsídios
consistentes para que se coloque em questionamento o atual modelo de produção
de alimentos (Escosteguy, 2002) e mais recentemente, os acontecimentos
envolvendo os surtos de influenza aviária.
Segundo Palermo Neto (2002), há
evidências de que a exposição do organismo a doses terapêuticas de
antimicrobianos por tempo prolongado pode levar a perturbação da microflora no
trato gastrintestinal (TGI), com repercussões no metabolismo de substâncias
endógenas e exógenas e na susceptibilidade a patógenos como Salmonella spp, Campylobacter spp e
Escherichia coli. Este efeito torna-se mais evidente quando o uso
terapêutico desses antimicrobianos é feito via oral, podendo desenvolver
pressão de seleção sobre a microflora do TGI, de forma a aumentar o potencial
para o desenvolvimento ou aquisição de resistência a estes antimicrobianos ou a
outros do mesmo grupo ou que apresentem idêntico mecanismo de ação.
Órgãos internacionais tais como a
Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial para a Saúde Animal
(OIE) têm registrado um aumento da freqüência de casos de resistência
bacteriana aos principais compostos antibióticos. Apesar de tal problema estar
associado à utilização indiscriminada desses compostos na medicina humana, a
rapidez e a amplitude de disseminação de alguns isolados resistentes indicam
que a dispersão dessas bactérias não pode ser inteiramente atribuída à
transmissão entre seres humanos. Assim, a atenção recai sobre os alimentos e a
forma como são produzidos (Demattê Filho & Kodawara, 2002a).
As comissões européias responsáveis
pelo estudo e decisões acerca destas questões têm-se baseado em uma “política
de precaução”, ou seja, não irão estabelecer regras apenas com a comprovação
científica dos perigos. Naturalmente, as críticas a este modelo são inúmeras;
porém, o fato é que as proibições e dificuldades para aprovações de
medicamentos e aditivos para rações na União Européia seguem essa nítida
tendência (Mc Mullin, 2004).
Apesar da incerteza sobre a relação
direta entre o uso de certos antibióticos na produção animal e o aumento de
resistência a estes em humanos, a proibição de seu uso é considerada pelo
Tribunal Europeu como medida legal, dada à necessidade de proteger a saúde
pública, segundo o pretexto que “questões do gênero não podem ficar dependentes
do resultado de pesquisas científicas” (Avisite, 2002).
A verdadeira extensão dos problemas
causados por substâncias tóxicas ou agentes biológicos para os seres vivos,
inclusive o homem, é difícil de prever, pois os efeitos só podem ser observados
no decorrer de várias gerações.
3.
Criação alternativa
A partir da década de
Surgiram, então, iniciativas
de produção de “frangos sem antibióticos”, “frangos sem antibióticos e
promotores de crescimento” e “frangos criados sem ingredientes de origem animal
na ração” e, atualmente, está sendo elaborada uma norma com critérios definidos
para produção destas aves. A criação alternativa de frangos surgiu, então, como
opção ao consumidor, sendo que o termo “Frango Certificado Alternativo” designa
frango de exploração intensiva, criado sem uso de antibióticos,
anticoccidianos, promotores de crescimento, quimioterápicos e ingredientes de
origem animal na dieta, além de menor densidade de aves por m², e de uma série
de outros requisitos e normas aprovadas no âmbito da Associação da Avicultura
Alternativa, AVAL (Demattê Filho & Mendes, 2001), as quais foram
encaminhadas ao Ministério da Agricultura para regulamentação da produção do
frango alternativo em âmbito nacional.
A demanda por produtos da
avicultura, denominados “alternativos”, face às exigências de mercado e às
proibições do uso de alguns aditivos pelo princípio de precaução, tem provocado
melhoria das técnicas de criação desse segmento e os resultados zootécnicos têm
apresentado menores índices de mortalidade, maior ganho de peso diário, com
conseqüente melhoria no índice de eficiência produtiva (Butolo, 2003).
A criação alternativa em
escala comercial sobrevive devido à diferenciação do preço do produto para o
consumidor, pois os menores índices zootécnicos inviabilizariam a produção não
fosse este recurso. Além disso há a necessidade de remunerar os produtores de
maneira diferenciada, gerando benefícios que os motivem a produzirem neste
modelo.
As dimensões de mercado interno e externo para os frangos diferenciados são difíceis de estimar, havendo pouca literatura a respeito. É um mercado que vem crescendo no Brasil, com aumento no número de consumidores de produtos orgânicos, naturais ou ecológicos, certificados por entidade independente ou não, ou simplesmente com declaração de qualidade diferenciada pelo produtor. Para carne de frango, houve um aumento do consumo mundial, devido a alterações nos hábitos alimentares, com substituição das carnes vermelhas pelas carnes brancas, em virtude do seu baixo teor de gordura e preço reduzido. A carne de frango atinge as expectativas e desejos de grande parcela da população mundial que está cada vez mais preocupada em consumir alimentos saudáveis e seguros (Bolis, 2002).
Bolis (2002) realizou pesquisa em 7 cidades brasileiras, com o objetivo de conhecer a realidade do consumo de frangos orgânicos, entretanto na prática ela foi realizada com frangos diferenciados (alternativo-caipiras), pois até o momento não existe no mercado um frango orgânico. A carne de frango foi a segunda mais consumida (38,3% das pessoas), contra 47% que afirmaram consumir mais a carne bovina, 7,35% para a carne de peixe, 5,12% para a carne suína, 1,02% para a carne de peru, 0,34% para a de ovelha, enquanto 0,87% não consumiam carnes. Esses dados confirmam a importância do frango como alimento em nosso país. O fator preço mostrou-se o principal critério de escolha de produtos cárneos, participando em 49,9% das respostas, isolado (22%) ou associado à marca, qualidade, embalagem ou composição do produto, sendo que 55% dos entrevistados pagariam mais caro por um frango orgânico e desses, 32,24% pagariam 10% mais caro, 30,94% pagariam até 5% mais caro, 21,83% pagariam 20% mais caro, 12,37% pagariam 50% mais caro e apenas 2,62% pagariam mais de 50% acima do preço do frango convencional. Quanto ao grau de informação sobre o frango orgânico, 38% disseram que não saberiam conceituá-lo. Sobre os sistemas de produção, 66% sabiam que o frango convencional recebe antibiótico, mas apenas 19% responderam corretamente que o frango não recebe hormônios.
Farina e Fagá (2002) entrevistaram consumidores de frangos alternativos
Na Korin, após vários anos de experiência como empresa produtora de produtos hortifrutigranjeiros naturais, nota-se que os consumidores desses produtos não são motivados por modismos, nem pertencentes apenas a classes abastadas, sendo que pessoas interessadas em melhorar sua saúde ou a de sua família encontram-se em todas as faixas de renda. Mas, devido aos preços de venda mais elevados, os frangos alternativos certamente encontrarão seu mercado principalmente entre os consumidores de maior conscientização, nível educacional mais elevado e de maior renda, sendo o fator de preço, um limitante à expansão do mercado desse tipo de frango.
Segundo Vale (2003), o mercado de frangos diferenciados (orgânico, caipira/alternativo) no Distrito Federal é de aproximadamente 3% em relação ao do frango convencional e os consumidores estão dispostos a pagar um prêmio pelo produto diferenciado. Contudo, existem problemas na comercialização, pois o mercado ainda não é organizado e o consumidor não sabe direito o que é o produto e o custo de produção é alto, o que torna o produto final mais caro.
As empresas produtoras de carne de frangos de sistemas alternativo e orgânico terão maior possibilidade de viabilizar seu trabalho e conquistar mercados à medida que conheçam melhor a atitude e expectativas do consumidor em relação aos produtos e a importância dos atributos da qualidade oferecidos serem comunicados ao consumidor.
3.1. O trabalho da Korin Agropecuária Ltda.
Em
Mokiti Okada afirma que de
uma forma ainda não explicada pela ciência, a ingestão de alimentos produzidos
com a utilização de adubos químicos e estercos animais, agrotóxicos e outras
substâncias químicas artificialmente introduzidas é a origem de inúmeras
enfermidades que acometem seres humanos. As funções orgânicas do homem não
estão habilitadas a eliminar de maneira completa as substâncias que não são
determinadas como alimentos. Estas substâncias estranhas, uma vez ingeridas,
transformam-se em toxinas concentrando-se em vários pontos do organismo, que
com o passar do tempo, acabam se solidificando, principalmente nas regiões de
maior atividade nervosa, tal como a parte superior do corpo, provocando o
enrijecimento dos ombros e nuca. Mokiti Okada afirma que a partir desse estágio
uma febre branda, porém ininterrupta, se instala nesta região do corpo,
provocando além do desconforto físico, irritabilidade e desequilíbrio
emocional, sendo a causa de conflitos e infelicidade e, portanto a origem de
muitas doenças (Okada, 1990). De acordo com suas idéias, os alimentos não podem
ser considerados apenas como um conjunto de nutrientes, tendo antes um elemento
mais importante para a manutenção da vida e da saúde, a energia vital. Tal energia
está intimamente ligada à pureza dos alimentos e esta por sua vez, depende dos
meios empregados na sua obtenção (Demattê Filho & Kodawara, 2002b). Dessa
forma, é importante ressaltar que a Korin não iniciou o trabalho de produção de
frangos devido às recentes demandas por este tipo de produto por parte de
consumidores, mas o fez por acreditar que as orientações de Mokiti Okada estão
absolutamente corretas. Todos os fatos recentes envolvendo as questões ligadas
à segurança dos alimentos e a relação com a saúde humana, vão ao encontro das
afirmações de Mokiti Okada. O fato é que um trabalho que, há poucos anos, era
tido apenas como uma peculiaridade de um grupo de pessoas, atualmente, é
considerado um modelo de vanguarda. Ele também afirmou que suas idéias estavam
muitos anos à frente de seu tempo e que o próprio desenvolvimento científico
iria demonstrar e verificar a veracidade de suas afirmações.
4. Alternativas aos promotores de crescimento de base
antibiótica
Muitas
pesquisas têm sido conduzidas com o objetivo de buscar alternativas aos
promotores de crescimento de base antibiótica, sem que haja redução dos níveis
de produtividade alcançados na avicultura e
sem prejudicar a relação custo/benefício. Vários trabalhos têm demonstrado que
os probióticos, prebióticos, simbióticos, enzimas e alguns aditivos fitogênicos
podem ser utilizados como substitutos aos promotores de crescimento, sem
prejudicar o desempenho das aves e as características de carcaça, sendo que
alguns pesquisadores chegaram a encontrar melhores resultados para ganho de
peso, eficiência alimentar, mortalidade e características de carcaça com o uso
destes produtos.
Segundo
levantamento realizado por Menten & Loddi (2003), os resultados de vários
trabalhos publicados no Brasil com uso de probióticos em frangos de corte
indicaram que as respostas para o ganho de peso e eficiência alimentar não
diferiram substancialmente daquelas obtidas com os antibióticos. Resultados
semelhantes aos antibióticos para os mesmos parâmetros também foram obtidos com
o uso de prebióticos (Rostagno et al., 2003) e com simbióticos (Maiorka et al.,
2001). Com o uso de capsaicina, cinamaldeíodo e carvacrol, Rostagno (2001),
citado por Menten (2002), verificou melhora no ganho de peso e eficiência
alimentar em relação ao antibiótico. Além disso, a utilização de probióticos e
prebióticos na ração, têm mostrado uma redução na mortalidade (Menten &
Loddi, 2003).
Oba et al. (2003)
encontraram maior rendimento de carcaça e porcentagem de peito para frangos
abatidos aos 46 dias de idade, utilizando-se extrato de Quillaja saponaria, em relação ao grupo controle.
Em
geral, os trabalhos publicados sobre óleos essenciais como promotores de
crescimento para frangos de corte são escassos.
Alguns
trabalhos de pesquisa que não mostram diferenças entre diversos aditivos e os
promotores de crescimento provavelmente foram conduzidos em um ambiente com
ausência de desafios, não reproduzindo as condições de campo. Isto concorda com
Forbes e Park, 1959, citados por Yeo & Kim (1997), que observaram efeito de
dietas contendo antibiótico em animais alojados em galpões naturalmente
contaminados. Da mesma forma nenhum efeito foi observado em animais “germ-free”
ou em animais alojados em galpões novos. Diferentes respostas entre estudos com
dietas contendo antibióticos podem ser atribuídas às diferenças entre espécies,
idade dos animais, dietas e ambiente. Em geral, efeitos mais significativos têm
sido reportados em animais jovens, comparados com animais velhos e em
observações de campo quando comparadas com ensaios em universidades (Zimmerman,
1986).
Avaliações
realizadas nas condições da União Européia apontam que os custos de inclusão de
aditivos em rações de frangos de corte correspondem a
4.1. Probióticos
O termo probiótico foi
proposto por Parker (1974), citado por Guillot (2000), e atualmente é definido
como suplemento alimentar à base de microrganismos vivos e viáveis, que têm
efeitos benéficos para o hospedeiro por melhorar o balanço microbiano no
intestino.
Os pintainhos nascem
praticamente desprovidos de população microbiana, a qual começa a ser
desenvolvida após o nascimento, sendo suscetíveis à colonização por Salmonella spp., e outros
enteropatógenos nos primeiros sete dias de vida (Ferreira, 2000). A ação direta
dos microrganismos na mucosa intestinal, assim como seus metabólitos, ácidos
biliares, toxinas e a amônia que são produzidas pela ação da urease bacteriana,
apresentam efeito irritativo à mucosa intestinal, fazendo com que a mucosa
permaneça em constante estado de leve inflamação, ocorrendo diminuição da
capacidade de absorção de nutrientes, resultando num menor desempenho animal
(Soares, 1996). Yeo e Kim (1996) mostraram que a adição de probióticos na dieta
de frangos suprimiu o desenvolvimento de bactérias produtoras de urease. A
diminuição da atividade da urease e a conseqüente redução na produção de amônia
beneficiam a saúde e o desempenho animal, por que a amônia produzida localmente
na mucosa intestinal pode exercer danos significativos nas células entéricas.
Em condições normais, as aves jovens recebem a microbiota principalmente das
mães, sendo que, em galinhas e perus, a transferência de microrganismos é muito
eficiente quando os recém-nascidos são criados próximos aos adultos (Andreatti
Filho & Sampaio, 1999). No entanto, os sistemas modernos de produção
avícola impossibilitam este contato, retardando a formação da microbiota
intestinal protetora nos animais jovens, de maneira que se deve utilizar
alternativas para suprir esta deficiência e promover melhor saúde aos animais.
A microbiota intestinal é
composta por inúmeras espécies bacterianas, sendo que em aves observa-se
invariavelmente a presença de Bacillus,
Bacterióides, Bifidobacterium, Citrobacter, Clostridium, Enterobacter,
Enterococcus, Escherichia, Eubacterium, Fusobacterium, Lactobacillus,
Lactococcus, Pediococcus, Peptostreptococcus, Propionibacterium, Ruminococcus,
Serratia, Veillonella, Estreptococcus, entre outros (Andreatti Filho &
Sampaio, 1999). Estes microrganismos formam um sistema complexo e dinâmico,
responsável por influenciar fatores microbiológicos, imunológicos, fisiológicos
e bioquímicos no hospedeiro, ou seja, as ações benéficas dos probióticos estão
vinculadas com a capacidade de aumentar a síntese das vitaminas do complexo B,
o estímulo a diferentes aspectos da resposta imunológica do organismo frente às
agressões, havendo evidências que sugerem uma ação de redução dos níveis de
colesterol, a capacidade de eliminar microrganismos e toxinas nocivas e
favorecer o retrocesso de alguns tumores implantados artificialmente em animais
de experimentação. Devido a esta complexidade, o uso de produtos que contenham
em sua composição maior número de espécies de microrganismos, pode apresentar
melhores resultados quanto à saúde dos animais hospedeiros (Tannock, 1998).
Segundo o Food and Drug Administration (FDA, 1989), dos
Estados Unidos, mais de 40 microrganismos podem ser utilizados na produção de
probióticos. Os mais comuns são cepas de bactérias Gram negativas dos tipos Lactobacillus sp (L. acidophillus, L. farciminis, L. rhammnosus, L. reuteri, L.
salivarius), Streptococcus sp. (S.
faecium, S. mundtii), e Bacillus sp
(B.cereus, B.licheniformis, B.subtilis, B. toyoi) (Araújo et al., 200.
Também são comumente utilizadas leveduras, como as cepas de Saccharomyces cerevisae.
Nurmi e Rantala (1973) demonstraram que a microbiota intestinal
de aves adultas normais, quando administradas em pintos de um dia, apresentou
efeito protetor contra infecção por Salmonella
spp. Tortuero (1973) verificou melhoria nos índices de produção, tais como
melhor conversão alimentar e aumento no ganho de peso em aves que receberam L. acidophillus, abrindo caminho para
investigações sobre o tema.
A presença de bactérias ácido-lácticas em grande quantidade
no intestino, interfere no crescimento, metabolismo ou sobrevivência de outras
bactérias entéricas, reduzindo seus efeitos patogênicos ou toxigênicos, através
da redução do pH ou pelo efeito direto dos ácidos sobre bactérias (Jin et al.,
1997). Deste modo, o interesse no estudo de probióticos reside na sua provável
ação contra os microrganismos patogênicos e/ou seus produtos, conferindo
proteção durante as flutuações da microbiota (Sanders, 1995).
Segundo Quadros et al. (2001), o uso de probióticos na dieta
de suínos proporcionou redução da perda de peso no transporte, melhorou o
rendimento de carcaça e também aumentou a profundidade do músculo Longissimus dorsi.
Em trabalhos realizados com frangos de corte, Leandro et al.
(2001) observaram aumento no consumo de ração pelas fêmeas nos tratamentos
utilizando probióticos em relação ao grupo com antibióticos e controle, embora
não tenha afetado o desempenho dos frangos, nem melhorado seu rendimento de
carcaça.
4.2. Prebióticos
Os prebióticos são definidos
como ingredientes alimentares não digeríveis que beneficiam o animal por
estimular seletivamente o crescimento e/ou a atividade de uma ou poucas
espécies de bactérias no intestino, melhorando a saúde do animal (Gibson &
Roberfroid, 1995), servindo de alimento aos probióticos.
Os prebióticos que teriam a habilidade de alterar a
composição da microflora intestinal, permitindo o estabelecimento de bactérias
benéficas são certos oligossacarídeos formados por cadeias curtas de
polissacarídeos compostos de três a dez açúcares simples ligados entre si, tais
como arabinose, galactose, manose e lactose. Os mananoligossacarídeos (MOS) e
os frutoligossacarídeos (FOS) são os mais indicados, (Newman, 1995 e
Roberfroid, 1998). Dessa forma atuariam como moduladores benéficos da
microbiota nativa presente no hospedeiro (Silva et al., 2003).
O uso dos oligossacarídeos pode reduzir o crescimento de diversas bactérias intestinais, patogênicas ou não, pela redução do pH, em virtude do aumento da quantidade de ácido láctico presente nos cecos (Choi et al., 1994, citados por Andreatti Filho & Sampaio, 1999). Algumas bactérias podem reconhecer sítios de ligação nos oligossacarídeos como sendo da mucosa intestinal, reduzindo-se a colonização intestinal por bactérias patogênicas. Isto feito, além de menor incidência de infecções, a mucosa intestinal torna-se inteiramente apta às funções de secreção, digestão e absorção de nutrientes (Iji & Tivey, 1998).
Estudos demonstram que a ingestão de leveduras inativas ou de
suas paredes celulares purificadas, favorece a instalação no intestino de
bactérias lácticas probióticas, impedindo a
colonização de Salmonella typhymurium, sendo
importante destacar que a levedura seca tem a propriedade de ser prebiótico,
característica que principalmente se deve à estrutura de sua parede celular.
Em contraste ao modo de ação da maioria dos antibióticos, os
mananoligossacarídeos (MOS) e possivelmente outros oligossacarídeos atuam
oferecendo uma grande quantidade de sítios de ligação para patógenos
Gram-negativos, prevenindo sua ligação com os enterócitos e a subseqüente
infecção intestinal. A aderência de microrganismos patogênicos às células da
bordadura do tecido entérico é pré-requisito para o início da infecção. Por
exemplo, tem sido demonstrado que o Vibrio
cholerae é incapaz de iniciar a doença a menos que seja capaz de aderir-se
aos enterócitos, independente de estar presente em grande número. A adesão
permite às bactérias crescer, formar
colônias e iniciar a disputa pelos nutrientes necessários ao seu
desenvolvimento. Além disso, dá-lhes condição de se proteger da ação das
enzimas digestivas, células de defesa e anticorpos do organismo animal (Ferket
et al., 2002).
4.3. Simbióticos
Segundo Roberfroid (1998),
simbiótico é a mistura de probiótico com prebiótico que afeta o hospedeiro,
melhorando a sobrevivência e a implantação de bactérias benéficas no trato gastrintestinal,
podendo também ser utilizado como substituto aos promotores de crescimento.
Fukata et al. (1999),
citado por Menten & Loddi (2003), demonstraram a eficácia da associação de
microbiota cecal com oligossacarídeos (FOS) em reduzir a quantidade de Salmonella enteritidis no ceco de
frangos inoculados experimentalmente aos 21 dias de idade. Nos três períodos
avaliados, o probiótico e o prebiótico reduziram a infecção, mas a combinação
teve efeito sinérgico. Entretanto, a simples inclusão de um nutriente para a
microbiota suplementada pode resultar numa associação simbiótica. Foi
demonstrado que 5% de lactose na ração aumentou a eficácia da microbiota
suplementada na prevenção da contaminação por Salmonella enteritidis.
4.4. Aditivos fitogênicos
Os extratos de plantas e condimentos têm sido utilizados há
muitos anos na medicina humana para auxiliar na cura de doenças. Mas na
alimentação animal moderna, os extratos de plantas despertaram o interesse como
uma alternativa aos aditivos antimicrobianos somente após a proibição do uso de
promotores de crescimento antibióticos. Desde então, muitas pesquisas estão
sendo realizadas para aumentar o conhecimento sobre o modo de ação,
estabilidade, toxicidade e benefícios potenciais dos extratos herbais (Kamel,
2000). Segundo Brugalli (2003), testes recentes revelam que os extratos
vegetais estimulam a atividade enzimática intestinal das aves, as atividades
das enzimas pancreáticas e promovem o aumento da atividade antioxidante, com
conseqüente melhora na digestibilidade e na capacidade de absorção de
nutrientes das aves.
A atividade antioxidante dos extratos vegetais se deve
diretamente à captura de radicais livres e outros intermediários oxidativos, da
quelação de íons ferro e cobre e da inibição de óxidos. A atividade
antioxidante foi atribuída aos carotenóides e flavonóides, particularmente a
quercetina e silibinina, que podem proteger as células e tecidos contra os
efeitos prejudiciais do oxigênio reativo, em grau semelhante ao efeito dos
tocoferóis (Miltenburg, 2000).
Diversas espécies vegetais, tais como alho (Allium sativum),
cebola (Allium cepa), canela (Cinnamomum zujlanicum), orégano (Origanum
vulgare), Yucca (Yucca schidigera) e Quillaja saponaria estão
sendo pesquisadas e já são utilizadas na avicultura industrial como aditivos na
ração de frangos de corte.
Segundo Heinerman (1997), o alho tem efeito antidiarréico,
antiinflamatório, anti-séptico, antifúngico, antiviral e aumenta a capacidade
do sistema imune. Em pesquisa realizada por Gonçalves et al. (2003), sua adição
na forma de pó em dietas de frangos de corte promoveu uma melhoria na conversão
alimentar. O óleo de orégano também tem sido utilizado em experimentos com
frangos de corte, mostrando efeitos coccidiostáticos e antibacterianos.
A Yucca schidigera e a Quillaja saponaria são
as maiores fontes de saponinas utilizadas como aditivos em rações para melhorar
o desempenho e reduzir a produção de amônia e o odor de fezes de animais
domésticos. O mecanismo de ação desses extratos ainda não é completamente
conhecido, mas sabe-se que as saponinas alteram a microflora intestinal, atuam
no metabolismo do nitrogênio, aumentam a permeabilidade de células da mucosa
intestinal e a taxa de absorção intestinal. Devido a sua propriedade
surfactante, as saponinas possuem atividade antiprotozoária, pois formam
complexos com o colesterol das membranas celulares dos protozoários, causando a
lise celular e apresentam propriedades antifúngicas e inibitórias para
bactérias Gram-positivas (Cheeke, 2002).
Oba et al. (2003)
demonstraram que a adição de Quillaja
saponaria na dieta de frangos alternativos melhorou o rendimento de carcaça
e a porcentagem de peito quando comparados a uma dieta controle. Schwarz (2002)
verificou um melhor desenvolvimento das vilosidades do intestino das aves
alimentadas com saponina (Quilaya), probióticos + saponinas e leveduras quando
comparados aos tratamentos controle e com antibiótico.
4.5. Ácidos orgânicos
O uso dos ácidos orgânicos
na alimentação das aves está relacionado com seus efeitos antifúngico nas
rações e ingredientes, inibidor da proliferação de enterobactérias no trato
gastrintestinal e, ainda, aumentando a disponibilidade dos nutrientes para as
aves (Silva, 2000). Sabe-se,
também, que alguns ácidos como o propiônico, o fórmico, o sórbico e o lático,
quando em sua forma não dissociada, penetram nas células exercendo efeito
bactericida (Jorge Neto & Dari, 2000).
Os objetivos da acidificação
da dieta consistem em reduzir o pH e a capacidade tampão do alimento,
aumentando a proteólise gástrica e reduzindo o crescimento bacteriano
intestinal e a produção de seus metabólitos, de forma a potencializar o
crescimento dos animais. Sua ação antimicrobiana está relacionada, em primeiro
lugar, com a redução de pH da dieta; entretanto, seu efeito mais importante se
deve à capacidade de difundir-se livremente
através da membrana celular dos microrganismos até seu citoplasma (Roth, 2000).
Uma vez no interior da bactéria eles são capazes de quebrar a estrutura de DNA
no núcleo da célula resultando na incapacidade da célula se dividir ou
levando-a a morte por exaustão, na tentativa de equilibrar seu meio interno
pela eliminação de cátions H+ (Langhout, 2000).
Laurentiz et al. (2001)
usaram 1% de vinagre e 0,05 % de ácido cítrico na água de bebida durante a
primeira semana de vida de frangos e, apesar de não encontrarem diferença
estatística entre os tratamentos, houve uma tendência de melhor desempenho para
os animais tratados com essa mistura de ácidos.
Em experimento com poedeiras
comerciais, os resultados demonstraram que a produção de ovos foi melhor nas
aves tratadas com aditivo acidificante, sendo que os acidificantes também
proporcionaram um maior peso corporal nas aves (Gama, 2000). Outro experimento
com filhotes de avestruzes, demonstrou que o uso de ácidos orgânicos nas
primeiras semanas de vida é uma boa ferramenta para diminuir a mortalidade
ocasionada por infecção do saco vitelino, enterites e septicemias (Bravo,
2001).
O uso de ácidos orgânicos na
nutrição avícola pode ser eficaz para substituir os antibióticos e promotores
de crescimento e, se utilizados corretamente junto com medidas nutricionais, de
manejo e biosseguridade, podem ser uma boa opção para manter a saúde do trato
gastrintestinal das aves, melhorando seu rendimento zootécnico (Gauthier,
2000).
4.6. Enzimas
Segundo Bonato et al.
(2001), as enzimas são catalisadores biológicos que aceleram diversas reações
químicas no organismo. Promovem a hidrólise dos componentes dos alimentos
tornando os nutrientes mais disponíveis para a absorção (Sartori et al., 2003). Atualmente, as categorias
mais importantes de produtos enzimáticos utilizadas em nutrição animal são as
fitases e as enzimas que catalisam os polissacarídeos não amiláceos (xilanases
e glucanases). Ambas atuam de forma a melhorar a digestibilidade e o valor
nutricional dos alimentos, visando suprir o déficit enzimático endógeno do
trato gastrintestinal das aves. Estes autores também concluíram que, com o uso
de enzimas, o consumo de ração tende a diminuir, embora não tenha apresentado
melhora significativa no peso corporal e conversão alimentar de frangos de
corte.
A suplementação de fitase
resulta em liberação das proteínas e aminoácidos ligados ao fitato. Varder Klis
e Versteegh (1991) citados por Cousins (1999) demonstraram que a suplementação
de 300 unidades de fitase/kg na dieta de poedeiras aumentou a absorção de
nitrogênio ileal de 79,3 para 80,9%. Em frangos, patos e perus, efeito positivo
da adição de fitase na digestibilidade de nitrogênio também foi observado por
Farrel et al. (1993), Martin e Farrel (1994) e Yi et al. (1996) citados por
Cousins (1999).
A fitase atua melhorando a disponibilidade
do fósforo e a xilanase atua no aumento da digestibilidade de nutrientes e,
principalmente, no aumento da energia
metabolizável. Conte et al. (2001)
utilizaram quatro níveis de fitase (0, 400, 800 e 1200 unidades/kg) e 2 níveis
de xilanase (0 e 1 kg/ton de ração) e verificaram que a xilanase melhorou a
conversão alimentar, sem afetar o ganho de peso e a fitase melhorou o
desempenho de frangos de corte em dietas com baixo fósforo disponível, sendo o
melhor resultado obtido com o nível de 1.105 unidades/kg de dieta.
Em trabalho realizado por
Pack e Bedford (1997), citados por Cousins (1999), observou-se que a combinação
enzimática de xilanase, amilase e protease pode melhorar o ganho de peso e a
conversão alimentar de frangos alimentados com dietas à base de milho e soja.
Máximo et al. (2001)
notaram que a adição de enzimas melhorou significativamente o desempenho de
pintos de corte, reduzindo o consumo de ração e contribuindo para a maior
eficiência alimentar. Esse efeito pode ser explicado pela melhor utilização dos
nutrientes da dieta e conseqüente redução nos custos de produção.
4.7. Bokashi
O bokashi teve sua origem no Japão no século XIX, com o objetivo de multiplicar microrganismos benéficos em um substrato para serem utilizados como aceleradores de compostagem ou para melhorar a sanidade de mudas. Porém, com o advento do uso de fertilizantes químicos, essa prática teve sua importância reduzida pela maioria dos agricultores japoneses. No final da década de 80, quando se começou a questionar com maior ênfase as condições da agricultura convencional, em relação ao desequilíbrio da biota do solo, a segurança alimentar comprometida pela contaminação com agrotóxicos, bem como a contaminação do meio ambiente, as publicações resgataram os benefícios do uso de bokashi na agricultura. O bokashi é uma mistura não específica de farelos inoculados e fermentados por microrganismos. É comum serem utilizados vários tipos de microrganismos para se obter o bokashi e a finalidade desta utilização é acelerar o processo de fermentação e produzir um produto rico em microrganismos benéficos. A matéria prima utilizada para confecção do bokashi pode variar, entretanto a melhor opção será determinada pela disponibilidade na região e a espécie animal objetivada, podendo ser feito inclusive com a própria ração formulada sem a adição dos suplementos vitamínico e mineral. O processo de fermentação pode ser aeróbio ou anaeróbio (Fundação Mokiti Okada, 2002a). No presente trabalho os bokashis foram confeccionados em processo anaeróbio, pois este permite um maior controle da qualidade da fermentação. Dahal (2001) descreveu que o uso de bokashi preparado com farelo de arroz e fermentado com microrganismos eficazes (EM) diminuiu a mortalidade das aves, melhorou a digestibilidade da ração aumentando o ganho de peso, além de ter um menor custo de produção quando comparado ao uso de antibióticos e substâncias do gênero.
O EM (Effective Microorganisms) ou outros inóculos padronizados contribuem na uniformização da fermentação melhorando a qualidade do produto final (Fundação Mokiti Okada, 2002a). Com o advento do EM, conseguiu-se melhorar a fermentação dos farelos, que fornecem nutrientes aos microrganismos presentes nesse composto, sem que hajam perdas na sua característica inicial. As bactérias produtoras de ácido lático e as leveduras, presentes no EM, fermentam os materiais orgânicos que compõem o bokashi e produzem substâncias que melhoram o equilíbrio da flora intestinal. O bokashi possui como principais matérias-primas o farelo de arroz e o farelo de trigo, mas podem ser adicionados outros materiais orgânicos, como a ração formulada, farinha de peixe e farinha de carne e osso (Fundação Mokiti Okada, 2002b).
A adição de bokashi-EM nas dietas aumentou o ganho de peso, melhorou a conversão alimentar e reduziu a gordura abdominal e melhorou a qualidade da carne de frango de corte e aumentou a produtividade e reduziu a produção de amônia em poedeiras (Sun et al., 1999). Segundo Anjum et al. (1998), citados por SUN et al. (1999), além de reduzir a quantidade de colesterol presente na gema do ovo em poedeiras comerciais, diminuiu a população de patógenos intestinais em frangos de corte.
Trabalhos têm mostrado que o uso de ração fermentada ou de bokashi na alimentação de frangos reduz a taxa de colesterol sérico (Sun et al., 1999), a produção de amônia em galpões (Sun et al., 1999; Li et al., 1998), a mortalidade e possuem efeito promotor de crescimento (Li et al., 1998), além de aumentar a produção de ovos em poedeiras (Yongzhen & Weijiong, 1994), podendo ser utilizados como alternativa aos antimicrobianos.
Experimentos realizados por Joo & Lee (1999) com
diferentes linhagens de frangos, adicionando EM na água, ração ou ambas, não
demonstraram diferença significativa no crescimento, consumo de ração,
conversão alimentar e mortalidade em relação ao grupo controle. No entanto,
houve aumento na porcentagem de peito e tendência de maior ganho de peso com o
uso de EM na água de bebida das aves, e menor porcentagem de gordura abdominal
quando a mistura bokashi-EM foi adicionada à ração. Em poedeiras comerciais, o
EM adicionado na ração também influenciou a qualidade dos ovos, com aumento do
peso, melhor consistência e coloração mais escura da gema nos tratamentos com
EM na ração ou na ração e na água (Chantsavang & Watcharangkul, 1999).
Estudos na Coréia demonstraram que o uso de EM na ração de frangos aumentou os índices de precocidade e diminuiu o odor do esterco quando pulverizado na cama e adicionado à ração e água das aves. Há também relatos de melhora na qualidade higiênica dos ovos e de diminuição na mortalidade por doenças respiratórias (Joo & Lee, 1999).
Li et al. (1998) observaram uma redução de 35% na mortalidade em aves que receberam bokashi com EM, em relação ao grupo controle. O bokashi EM diminuiu significativamente a incidência de diarréia e canibalismo entre aves poedeiras.
Safalaoh & Smith (2001) compararam o uso do bokashi EM
com promotor de crescimento bacitracina de zinco (BZ) e encontraram taxas de
ganho de peso significativamente maiores nos tratamentos com BZ comparadas com
as dietas sem BZ, assim como observaram que as dietas com
Há de se considerar, entretanto, a escassez de trabalhos sobre o uso de bokashi como um aditivo de rações para frangos de corte, principalmente quando comparado aos aditivos antibióticos e aos outros aditivos comercialmente disponíveis como alternativa aos promotores de crescimento de base antibiótica.
4.8. Microrganismos eficazes (EM)
Outra alternativa ao uso de
promotores seriam os microrganismos eficazes (EM). A tecnologia do EM foi
desenvolvida na década de 70 pelo Dr. Teruo Higa na Universidade de Ryukyus,
Okinawa, Japão, e se baseou na simbiose de uma variedade de bactérias sendo,
posteriormente, refinada para a inclusão de três tipos de microrganismos
freqüentemente encontrados no meio ambiente e denominados de bactérias
lácticas, actinomicetos e bactérias fotossintéticas (Sangakkara, 2002),
predominando populações bacterianas lácticas. Embora seu mecanismo de ação
ainda não seja totalmente conhecido, acredita-se que poderiam atuar aumentando
a quantidade de aminoácidos disponíveis, o que explicaria alguns de seus
efeitos benéficos (Li et al., 1998).
Outra explicação poderia ser obtida
através do incremento na microflora, potencializando a capacidade intrínseca da
ave de se defender de doenças, colonizando seu trato gastrintestinal com
bactérias benéficas que dificultarão o crescimento de bactérias patogênicas.
Além disso, os microrganismos eficazes estimulam o sistema imunológico,
produzem substâncias que inibem o crescimento bacteriano, melhorando a
capacidade de síntese de vitaminas, hormônios e enzimas que auxiliam a
digestão, aumentando a qualidade do produto final. Isto sugere resposta
positiva do uso do EM como probiótico para aves (Li et al., 1998).
Como foi demonstrado por
Safalaoh & Smith (2001), o EM tem um efeito promotor de crescimento e
hipocolesterêmico e apresenta-se como alternativa ao uso de antibióticos nas dietas
de frangos de corte.
Após entrar no organismo do animal, a
cultura benéfica de microrganismos do EM multiplica-se rapidamente, controlando
o crescimento de outros patógenos, além de produzir vitaminas, disponibilizar
nutrientes e estimular o sistema imune das aves (Li et al., 1998). O incremento
no desempenho de frangos com o uso de EM pode ser atribuído à melhora das
condições ambientes, como também estar relacionado à inoculação de
microrganismos benéficos no trato gastrintestinal (Wood, 1999).
Os microrganismos eficazes
têm sido utilizados como inoculantes no processo de ensilagem de milho e
forrageiras. Guim et al. (1995)
trabalhando com ovinos, verificaram que a adição de EM melhorou a
digestibilidade aparente da matéria seca, proteína bruta, extrativo não
nitrogenado, energia bruta e o valor de nutrientes digestíveis totais (NDT) de
silagens com alto teor de matéria seca. Yongzhen & Weijiong (1994)
relataram que a concentração de aminoácidos no alimento aumentou em 28% após o
processo de fermentação com EM, indicando que o EM melhora a qualidade de
rações fermentadas.
Trabalhos realizados com produtores na China verificando a
qualidade dos resíduos animais, demonstraram que o EM ajuda a estabilizar o
material, controlando o mau cheiro e melhorando seu valor como fertilizante na
agricultura, sugerindo que o EM pode transformar a amônia em constituintes
menos tóxicos, e dessa forma, diminuir sua emissão no galpão em
Yongzhen & Weijiong
(1994) também verificaram que a utilização do EM como um probiótico nas rações
melhorou o coeficiente de absorção de nitrogênio. A adição de EM melhorou o
peso final de frangos de corte quando adicionado na água de bebida (2004g), na
ração fermentada (1978g) e em ambos, água de bebida e ração (2022g) em
comparação ao grupo controle (1690g).
O EM é um produto seguro, podendo ser usado como promotor de crescimento e para induzir resposta imunológica em frangos de corte (Dahal, 2001). Além disso, vários trabalhos têm demonstrando sua eficácia na redução dos níveis de amônia nos galpões (Li et al., 1998).
O capítulo 2,
denominado “NÍVEIS DE INCLUSÃO E TIPOS DE BOKASHI NA CRIAÇÃO ALTERNATIVA DE
FRANGOS DE CORTE”, apresenta-se de acordo com as normas editoriais da
Revista PAB – Pesquisa Agropecuária
Brasileira. O objetivo
deste trabalho foi avaliar o nível de
inclusão de dois tipos de bokashi sobre o desempenho, rendimento de carcaça e
partes, peso de órgãos e
morfometria do intestino de frangos de corte criados no sistema alternativo.
O capítulo 3,
denominado “USO DE BOKASHI E ADITIVOS COMERCIAIS
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CAPÍTULO II
NÍVEIS
DE INCLUSÃO E TIPOS DE BOKASHI NA CRIAÇÃO ALTERNATIVA DE FRANGOS DE CORTE
Níveis de
inclusão e tipos de bokashi na criação alternativa de frangos de corte
Resumo- O objetivo deste trabalho foi avaliar diferentes tipos de bokashi e seus níveis de inclusão sobre o desempenho, rendimento de carcaça e partes, peso de órgãos e morfometria intestinal de frangos de corte criados no sistema alternativo. Foram utilizados 2592 frangos de corte machos da linhagem Ross distribuídos em um delineamento em blocos casualizados com esquema fatorial 2x4 (dois tipos de bokashi: comum-C e ativado-F e quatro níveis de inclusão do bokashi nas rações: 0,50, 1,00, 2,00 e 4,00%), com seis repetições de 54 aves cada. Os dados de desempenho foram obtidos para os períodos de 1-21 e 1-42 dias de idade. Aos 42 dias de idade, foram retiradas cinco aves de cada parcela para análises de rendimento de carcaça e duas aves de cada parcela para análises de peso de órgão e morfometria intestinal. Com exceção do rendimento de carcaça, não houve interação entre tipo de bokashi e nível de inclusão para nenhuma das características avaliadas. Embora não significativos, os maiores valores numéricos do fator de produção para o bokashi F e para o nível de inclusão de 0,50% de bokashi, indicam melhores resultados zootécnicos. O uso de bokashi C e F em níveis de inclusão de até 4,00% na ração não influenciou o desempenho aos 21 e 42 dias de idade, de frangos de corte criados no sistema alternativo. Nos frangos que receberam bokashi F, o nível de inclusão de 0,50% apresentou maior rendimento de carcaça que o 1,00%; e para o nível de inclusão de 1,00%, o bokashi C foi superior ao bokashi F para esta característica. Conclui-se que os melhores níveis de inclusão de bokashi na ração de frangos de corte situam-se entre 0,50 e 1,00 % e que o nível de 4,00%, embora não tenha afetado o desempenho das aves, parece ser excessivo, quando se consideram todas as variáveis analisadas.
Termos para indexação: bokashi, frangos de corte, promotor de crescimento,
sistema alternativo.
Levels and types of bokashi in broiler alternative production system
Abstract- The objective of this study was to evaluate the effects of
different bokashi types and inclusion levels on growth performance, carcass
yield and cut up parts yield of broilers raised on alternative system. Data
were analyzed as a randomized complete blocks. A group of two thousand five
hundred and ninety two day-old male Ross broiler chicks were used in a 2x4
factorial design (two types of bokashi C and F, and four inclusion levels in
feed: 0,50; 1,00; 2,00 and 4,00%) with six replicates of 54 birds each. Growth
performance data were obtained from 1 to 21 and 1 to 42 days period. At 42 days
of age thirty 42 day-old birds, five
from each treatment, were sampled to carcass yield analysis. Except for carcass
yield, there was not interaction between type of bokashi and level of inclusion
for any of the evaluated characteristics. Although not significant, higher
efficiency production factor values using 0.50% of bokashi in feed could
suggest better growth performance. Both bokashi types, C and F, in all
inclusion levels studied, have not shown changes on growth performance of
broiler raised on alternative system in the period of 1 to 21 and 1 to 42 days
of age. For carcass yield values, birds treated with 0.05% of bokashi F in
feed showed higher values compared with
the 1.00% treatment. Also, using a 1.00% inclusion for both types of bokashi,
bokashi C resulted in higher values of carcass yield.
Index terms: bokashi, broiler, growth promoter, alternative system.
Introdução
Nos últimos anos, a
crescente preocupação dos consumidores com relação aos resíduos químicos nos
alimentos motivou produtores e empresários do setor a desenvolverem produtos
sem a utilização de substâncias consideradas indesejáveis.
No caso da criação de
animais, particularmente da avicultura, questões recentes têm sido levantadas
com relação ao uso dos antibióticos como aditivos para melhorar o desempenho,
que podem ser responsáveis pelo desenvolvimento de resistência bacteriana
cruzada aos antimicrobianos de uso terapêutico humano e por deixarem resíduos
na carne e ovos (Palermo Neto, 2002).
O aumento do conhecimento sobre a
resistência bacteriana aos antibióticos de uso em humanos e na produção animal
tem contribuído no desenvolvimento da percepção dos consumidores de que uma
alternativa aos antibióticos deve ser identificada (Edens, 2003).
Na Europa, a Suécia foi o
primeiro país a banir os antibióticos como promotores de crescimento para
animais, seguida pela Dinamarca (Bager & Emborg, 2001) e, atualmente,
apenas 4 substâncias ainda podem ser utilizadas como promotores de crescimento:
monensina e salinomicina, que são ionóforos, e avilamicina e flavomicina.
Baseado no conceito de precaução, esses antibióticos deverão ser proibidos como
promotores de crescimento a partir de janeiro de 2005, assim como os
coccidiostáticos e histomonostáticos a partir de janeiro de 2009 (Comunidade
Européia, 2002).
Com a limitação de uso
destas substâncias, novos produtos vêm sendo desenvolvidos e muitos já se
encontram disponíveis no mercado, com o intuito de melhorar as condições da mucosa
intestinal, favorecendo o crescimento da microbiota benéfica, em detrimento aos
microrganismos indesejáveis. Dentre estes, podemos citar os probióticos e
prebióticos, as vacinas para coccidiose, aditivos fitogênicos, ácidos
orgânicos, enzimas, entre outros (Penz Júnior et al., 1993).
Entre os produtos testados
atualmente na alimentação animal em substituição aos promotores de crescimento,
o EM (Microrganismos eficazes) e o bokashi têm apresentado resultados
animadores. O EM é um líquido de pH 3,5, formado pela interação de diversos
microrganismos aeróbios e anaeróbios facultativos, entre eles, as bactérias
produtoras de ácido láctico, leveduras, actinomicetos, fungos filamentosos e
bactérias fotossintéticas. O bokashi é o produto da fermentação de matéria
orgânica, como farelo de arroz e farelo de soja, pelos microrganismos eficazes.
Possui a finalidade de reduzir o mau cheiro nas criações, através da redução da
emissão de amônia das fezes (Li et al., 1998) e atuar em várias outras frentes
como na redução de doenças e estresse dos animais (Joo & Lee, 1999) e na
melhoria do desempenho de frangos (Joo & Lee, 1999; Sun et al., 1999) e
poedeiras comerciais (Yongzhen & Weijiong, 1994; Chantsavang &
Watcharangkul, 1999).
Sendo assim, a hipótese
deste trabalho é que a microbiota útil e os produtos gerados durante o processo
de fermentação dos diferentes tipos de bokashi contribuem para melhorar a
integridade da mucosa intestinal favorecendo a digestão e absorção dos
nutrientes, sendo boa opção para criação de frangos de corte alternativos. O
objetivo foi avaliar o nível de inclusão de dois tipos de bokashi sobre o
desempenho, rendimento de carcaça e partes, peso de órgãos e morfometria
intestinal de frangos de corte criados no sistema alternativo.
Material e Métodos
Foram utilizados 2592 pintos de corte machos, com um dia de idade, da linhagem Ross, distribuídos em um delineamento em blocos casualizados com esquema fatorial 2x4 (dois tipos de Bokashi: comum - C e ativado com fezes - F e quatro níveis de inclusão do Bokashi nas rações: 0,5; 1,0; 2,0 e 4,0%), com seis repetições de 54 aves cada. O programa de arraçoamento foi dividido em quatro fases e os níveis nutricionais e a composição das rações estão mostrados na Tabela1.
Tabela 1. Composição porcentual e valores calculados das rações experimentais.
|
Ingredientes |
Pré-inicial |
Inicial |
||||||
|
Bokashi |
0,500 |
1,000 |
2,000 |
4,000 |
0,500 |
1,000 |
2,000 |
4,000 |
|
Milho |
55,978 |
55,906 |
54,806 |
52,755 |
60,55 |
59,998 |
58,898 |
56,793 |
|
Levedura |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
|
Soja, extrusada |
12,000 |
11,500 |
13,000 |
16,000 |
10,200 |
11,000 |
12,500 |
15,500 |
|
Soja, farelo |
23,700 |
24,000 |
22,600 |
19,700 |
21,300 |
20,600 |
19,200 |
16,300 |
|
Calcário |
1,500 |
1,500 |
1,500 |
1,450 |
1,300 |
1,300 |
1,300 |
1,250 |
|
Fosfato
bicálcico |
1,350 |
1,350 |
1,350 |
1,350 |
1,250 |
1,200 |
1,200 |
1,200 |
|
Sal |
0,460 |
0,462 |
0,462 |
0,463 |
0,424 |
0,424 |
0,424 |
0,424 |
|
DL-metionina |
0,045 |
0,045 |
0,045 |
0,045 |
0,000 |
0,000 |
0,000 |
0,005 |
|
L-lisina |
0,030 |
0,030 |
0,030 |
0,030 |
0,020 |
0,020 |
0,020 |
0,020 |
|
NatuphosÒ |
0,007 |
0,007 |
0,007 |
0,007 |
0,008 |
0,008 |
0,008 |
0,008 |
|
Suplemento
vitamínico2 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
|
Suplemento
mineral1 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
|
Composição Calculada |
|
|
|
|
|
|||
|
EMA (kcal/kg) |
3.000 |
3.000 |
2.999 |
3.000 |
3.049 |
3.050 |
3.049 |
3.048 |
|
PB (%) |
21,99 |
22,02 |
22,02 |
22,01 |
20,59 |
20,61 |
20,62 |
20,60 |
|
FB (%) |
3,54 |
3,55 |
3,60 |
3,70 |
3,35 |
3,38 |
3,43 |
3,53 |
|
MM (%) |
6,09 |
5,58 |
5,61 |
5,65 |
5,29 |
5,28 |
5,32 |
5,38 |
|
Ca (%) |
1,00 |
1,00 |
1,01 |
1,00 |
0,99 |
0,98 |
0,98 |
0,99 |
|
Pt (%) |
0,77 |
0,60 |
0,61 |
0,62 |
0,57 |
0,57 |
0,57 |
0,58 |
|
Ingredientes |
Crescimento |
Final |
||||||
|
Bokashi |
0,500 |
1,000 |
2,000 |
4,000 |
0,500 |
1,000 |
2,000 |
4,000 |
|
Milho |
66,204 |
65,604 |
64,503 |
62,458 |
70,725 |
70,225 |
69,125 |
67,675 |
|
Levedura |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
5,000 |
5,000 |
5,000 |
5,000 |
|
Soja, extrusada |
17,600 |
18,400 |
19,900 |
22,900 |
18,600 |
19,300 |
20,800 |
20,300 |
|
Soja, farelo |
8,400 |
7,700 |
6,300 |
3,400 |
2,400 |
1,700 |
0,300 |
0,300 |
|
Calcário |
1,300 |
1,300 |
1,250 |
1,250 |
1,300 |
1,300 |
1,300 |
1,250 |
|
Fosfato
bicálcico |
1,100 |
1,100 |
1,100 |
1,100 |
0,800 |
0,800 |
0,800 |
0,750 |
|
Sal |
0,397 |
0,397 |
0,398 |
0,398 |
0,385 |
0,385 |
0,385 |
0,385 |
|
DL-metionina |
0,045 |
0,045 |
0,045 |
0,045 |
0,025 |
0,025 |
0,025 |
0,025 |
|
L-lisina |
0,045 |
0,045 |
0,045 |
0,040 |
0,005 |
0,005 |
0,005 |
0,005 |
|
NatuphosÒ |
0,009 |
0,009 |
0,009 |
0,009 |
0,010 |
0,010 |
0,010 |
0,010 |
|
Suplemento
vitamínico2 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
0,200 |
0,200 |
0,200 |
0,200 |
|
Suplemento
mineral1 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
|
Composição Calculada |
|
|
|
|
|
|||
|
EMA (kcal/kg) |
3.202 |
3.201 |
3.200 |
3.202 |
3.280 |
3.279 |
3.278 |
3.249 |
|
PB (%) |
17,99 |
18,01 |
18,02 |
18,00 |
16,40 |
16,39 |
16,40 |
16,42 |
|
FB (%) |
3,16 |
3,19 |
3,24 |
3,33 |
2,94 |
2,97 |
3,02 |
3,07 |
|
MM (%) |
4,76 |
4,78 |
4,81 |
4,85 |
4,30 |
4,31 |
4,35 |
4,39 |
|
Ca (%) |
0,94 |
0,94 |
0,95 |
0,94 |
0,88 |
0,89 |
0,89 |
0,88 |
|
Pt (%) |
0,51 |
0,51 |
0,52 |
0,53 |
0,44 |
0,44 |
0,45 |
0,45 |
Garantia
por kg de ração: 1 Mineral: cobre, 12,00 mg; ferro, 50,00 mg;
iodo, 1,00 mg; manganês, 65,00 mg; zinco, 50,00 mg. 2 Vitamínico
(inicial): vitamina A, 12000 UI; vitamina D3, 2400 UI; vitamina E, 48,50
mg; vitamina K3, 1,60 mg; vitamina B1, 2,80 mg; vitamina B2, 7 mg; vitamina B6,
3,20 mg; vitamina B12, 14,40 mcg ; niacina, 36,00 mg; ácido pantotênico, 14,00
mg; ácido fólico, 1,00 mg; colina, 750,00 mg; lisina, 1050,00 mg; metionina,
1828 mg; selênio, 0,30 mg; antioxidante,
Para obtenção do bokashi, fez-se inicialmente uma mistura de farelos que depois de homogeneizados, foram umedecidos até atingir 35% de umidade e posteriormente acrescidos de um pool de microrganismos com prevalência de bactérias ácido-lácticas. Para o bokashi C utilizou-se o EMÒ (microorganismos eficazes) como inóculo, e para o bokashi F utilizou-se outro inoculante previamente desenvolvido e acrescido de fezes de frangos de corte alternativos. Após a devida homogeneização, o bokashi foi acondicionado em sacos plásticos para fermentar em processo anaeróbio.
As aves foram alojadas no aviário experimental da Fundação Mokiti Okada,
no município de Ipeúna-SP, em 48 boxes de 1,5 x
Os dados de desempenho foram obtidos para os períodos acumulados de
Para determinação do rendimento de carcaça e partes e gordura abdominal, aos 42 dias de idade foram retiradas 5 aves por boxe, sendo 30 aves por tratamento, totalizando 240 aves, as quais foram identificadas individualmente por anilhas em uma das patas e passaram por um período de 8 horas de jejum antes do abate, que foi realizado no abatedouro da empresa Korin Agropecuária Ltda.
Após a evisceração e retirada da gordura aderida na cavidade abdominal e sem passar pelo “chiller”, as carcaças sem pés, cabeça, pescoço e vísceras comestíveis, foram pesadas e o rendimento de carcaça calculado em relação ao peso vivo antes do abate. Posteriormente, as carcaças foram cortadas por procedimentos do tipo industrial e foram obtidos os seguintes rendimentos de partes em relação ao peso da carcaça: rendimento de peito, pernas (comumente denominadas coxa e sobrecoxa), dorso e asas, segundo metodologia descrita por Mendes (1990). Os rendimentos de pés, cabeça + pescoço e gordura abdominal (retirada da cavidade abdominal e da moela) foram obtidos em relação ao peso vivo antes do abate, segundo metodologia descrita por Sartori (1997).
Para obtenção dos dados de peso de
órgãos e morfologia intestinal, aos 42 dias de idade, duas aves por boxe foram
pesadas e sacrificadas por deslocamento da articulação crânio-cervical,
totalizando 10 aves/tratamento para colheita dos seguintes órgãos: coração,
fígado, moela, intestino delgado e intestino grosso. O coração e o fígado foram
pesados imediatamente após terem sido retirados. A moela foi aberta e pesada
após remoção do conteúdo. Os intestinos delgado e grosso foram separados por
secções no local onde o duodeno emerge da moela e na junção íleo-ceco-cólica,
pesados e medidos. Para o comprimento do intestino grosso foi considerado o
comprimento do cólon e reto somado ao comprimento dos cecos.
Para as análises histológicas foram colhidos dois segmentos
de
A análise estatística dos dados de desempenho, rendimento de carcaça, partes e gordura abdominal e morfometria intestinal foram efetuadas pelo método da análise de variância com o auxílio do procedimento GLM do Sas (1996). Quando necessário, as médias foram comparadas pelo teste de Student-Newman-Keuls (SNK) ao nível de significância de 5%.
Não
houve efeito do tipo de bokashi e nem do nível de inclusão nas dietas dos
frangos de corte sobre o peso final, ganho de peso e mortalidade nos períodos
de 1-21 (Tabela 2) e 1-42 dias de idade (Tabela 3) e nem sobre o consumo de
ração, conversão alimentar e fator de produção para o período de 1-42 dias de
idade (Tabela 3). De 1-21 dias de idade, as aves com dietas contendo bokashi C
apresentaram (P<0,05) maior consumo de ração e pior conversão alimentar
quando comparadas as que receberam bokashi F.
Tabela 2. Peso
inicial (PI), peso final (PF), ganho de peso (GP), ganho de peso diário (GPD),
consumo de ração (CR), conversão alimentar (CA) e mortalidade (MORT) de frangos
de corte no período de
|
Variáveis |
Tipo de bokashi |
|
Nível de inclusão (%) |
C.V. |
||||
|
|
BC |
BF |
|
0,50 |
1,00 |
2,00 |
4,00 |
(%) |
|
PI (g) |
38,9ns |
39,4 |
|
39,4ns |
38,8 |
39,5 |
4,66 |
|
|
PF (g) |
782ns |
788 |
|
800ns |
780 |
792 |
5,57 |
|
|
GP (g) |
743ns |
749 |
|
760ns |
741 |
752 |
728 |
5,70 |
|
GPD (g) |
35ns |
36 |
|
36ns |
35 |
36 |
35 |
5,70 |
|
CR (g) |
1.120a |
1.091b |
|
1.128a |
1.116ab |
1.109ab |
1.069b |
4,34 |
|
CA (g/g) |
1,523a |
1,472b |
|
1,498ns |
1,520 |
1,489 |
1,486 |
5,88 |
|
MORT (%) |
2,62ns |
2,83 |
|
2,52ns |
2,25 |
2,68 |
3,50 |
44,87 |
(1)Médias na linha, seguidas de
letras diferentes, diferem significativamente entre si a 5% de probabilidade. nsNão
significativo.
Chantsavang & Watcharangkul
(1999) não verificaram diferenças significativas entre o grupo controle e as
aves alimentadas com 1% de bokashi EM na ração para os parâmetros de desempenho
a sete semanas de idade. Contudo, Li et al. (1998) descreveram o aumento de
peso vivo e da eficiência alimentar e redução da mortalidade de frangos de corte,
alimentados com dietas contendo bokashi EM em relação ao grupo controle, no
período de
No
período de
O maior valor do fator de produção para o bokashi F no nível
de inclusão de 0,50%, indica melhor resultado zootécnico para este nível de
inclusão (Tabela 3).
Tabela 3. Peso final
(PF), ganho de peso (GP), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração (CR),
conversão alimentar (CA), mortalidade (MORT) e fator de produção (FP) de
frangos de corte no período de
|
Variáveis |
Tipo de bokashi |
|
Nível de inclusão (%) |
C.V. |
||||
|
|
BC |
BF |
|
0,50 |
1,00 |
2,00 |
4,00 |
(%) |
|
PF (g) |
2.295ns |
2.291 |
|
2.315ns |
2.301 |
2.292 |
4,66 |
|
|
GP (g) |
2.256ns |
2.251 |
|
2.276ns |
2.263 |
2.252 |
5,57 |
|
|
GPD (g) |
55ns |
55 |
|
56ns |
55 |
55 |
54 |
5,70 |
|
CR (g) |
4.166ns |
4.154 |
|
4.173ns |
4.174 |
4.228 |
4.063 |
5,70 |
|
CA (g/g) |
1,883ns |
1,865 |
|
1,856ns |
1,888 |
1,899 |
1,856 |
4,34 |
|
MORT (%) |
7,23ns |
6,02 |
|
5,78ns |
7,00 |
5,13 |
8,74 |
5,88 |
|
FP(2) |
272ns |
278 |
|
283ns |
273 |
275 |
267 |
44,87 |
(1)Médias na linha, seguidas de
letras diferentes, diferem significativamente entre si a 5% de probabilidade. (2)Fator
de Produção = ((GPD x Viabilidade)/CA) x 100. naNão significativo.
Não houve efeito do tipo de bokashi e
o nível de inclusão nas dietas dos frangos de corte, e nem interação entre
estes fatores para o rendimento de cabeça e pescoço, pés, gordura abdominal,
asas, peito, pernas e dorso dos frangos de corte aos 42 dias de idade (Tabela
4).
Tabela 4. Peso vivo e
rendimento de carcaça, partes e gordura abdominal de frangos de corte aos 42
dias de idade, segundo o tipo de bokashi e o nível de inclusão(1).
Variáveis |
Tipo de bokashi |
|
Nível de inclusão (%) |
C.V. |
||||
|
|
BC |
BF |
|
0,50 |
1,00 |
2,00 |
4,00 |
(%) |
|
Peso vivo (g) |
2.314ns |
2.287 |
|
2.303ns |
2.293 |
2.309 |
7,01 |
|
|
Carcaça eviscerada(2)
(%)* |
66,83ns |
67,08 |
|
67,19ns |
67,03 |
66,82 |
2,36 |
|
|
Cabeça e pescoço(2) (%) |
6,34ns |
6,33 |
|
6,24ns |
6,36 |
6,35 |
7,29 |
|
|
Pés(2) (%) |
4,18ns |
4,18 |
|
4,20ns |
4,16 |
4,19 |
8,69 |
|
|
Gordura abdominal(2)
(%) |
1,47ns |
1,36 |
|
1,38ns |
1,50 |
1,43 |
39,40 |
|
|
Asas(3) (%) |
12,43ns |
12,40 |
|
12,36ns |
12,38 |
12,44 |
12,49 |
4,36 |
|
Peito(3) (%) |
33,80ns |
34,09 |
|
34,22ns |
33,69 |
34,19 |
33,69 |
4,36 |
|
Pernas(3) (%) |
37,45ns |
37,40 |
|
37,30ns |
37,52 |
37,34 |
37,53 |
3,39 |
|
Dorso(3) (%) |
16,56a |
16,34b |
|
16,40ns |
16,59 |
16,27 |
16,54 |
6,13 |
(1)Médias na linha, seguidas de
letras diferentes, diferem significativamente entre si a 5% de probabilidade. *Interação
entre o tipo de bokashi e nível de inclusão na dieta a 5% de probabilidade. (2)Rendimento
de carcaça eviscerada, cabeça e pescoço, pés ou gordura abdominal (%) = (peso
da carcaça eviscerada, cabeça e pescoço, pés ou da gordura abdominal, g/peso vivo,
g)x100. (3)Rendimento das partes (%) = (peso das partes, g/peso da
carcaça eviscerada, g)x100. nsNão significativo.
Houve
interação (p<0,05) entre o tipo de bokashi e nível de inclusão na dieta
sobre o rendimento de carcaça eviscerada aos 42 dias de idade (Tabela 5). Nos
frangos que receberam bokashi F, o nível de inclusão de 0,50% apresentou maior
RC que o de 1,00%; e para o nível de inclusão de 1,00%, o bokashi C foi
superior ao bokashi F para esta característica. Safalaoh & Smith (2001) também
constataram diferenças significativas para rendimento de carcaça entre
tratamentos sem aditivos e com dois níveis de inclusão de bokashi na ração,
sendo que a inclusão de bokashi a 3,00% melhorou o rendimento de carcaça de
frangos de corte aos 42 dias de idade, e que a inclusão de 1,50% não diferiu do
grupo controle. Chantsavang & Watcharangkul (1999), no entanto, não
encontraram diferenças significativas entre as aves do grupo controle e as do
tratamento com 1,00% de bokashi para rendimento de carcaça, peito, coxa e
sobrecoxa, moela, fígado e gordura abdominal, no período de 7 semanas de idade.
Tabela 5.
Desdobramento da interação entre o tipo de bokashi e o nível de inclusão para o
rendimento de carcaça eviscerada (%) de frangos de corte aos 42 dias de idade(1).
|
|
Nível
de inclusão de bokashi (%) |
|
|||
|
Tipo |
0,50 |
1,00 |
2,00 |
4,00 |
Médias |
|
Bokashi C |
66,57B |
67,52A |
66,68 |
66,58 |
66,83 |
|
Bokashi F |
67,83aA |
66,57bB |
66,97ab |
66,94ab |
67,08 |
|
Médias |
67,19 |
67,03 |
66,82 |
66,76 |
|
(1)Médias na
linha, seguidas de letras diferentes, diferem significativamente entre si a 5%
de probabilidade pelo teste de SNK. Médias na coluna, seguidas de letras
diferentes, diferem significativamente entre si a 5% de probabilidade pelo
teste F.
Não houve efeito do tipo de bokashi e
o nível de inclusão nas dietas dos frangos de corte, e nem interação entre
estes fatores para o peso relativo de órgãos (%) e comprimento (cm) do
intestino delgado e do intestino grosso de frangos dos corte aos 42 dias de
idade (Tabela 6).
Tabela 6. Peso relativo de órgãos(1) e comprimento do
intestino delgado e do intestino grosso de frangos de corte aos 42 dias de
idade, segundo o tipo de bokashi e o nível de inclusão.
|
Variáveis |
Tipo de
Bokashi |
|
Nível de
inclusão (%) |
C.V. |
||||
|
|
BC |
BF |
|
0,50 |
1,00 |
2,00 |
4,00 |
(%) |
|
Coração
(%) |
0,46ns |
0,47 |
|
0,45ns |
0,47 |
0,48 |
11,99 |
|
|
Moela
(%) |
1,53ns |
1,52 |
|
1,56ns |
1,50 |
1,51 |
14,44 |
|
|
Fígado
(%) |
1,90ns |
1,89 |
|
1,86ns |
1,92 |
1,85 |
11,22 |
|
|
Pró
ventrículo (%) |
0,27ns |
0,25 |
|
0,26ns |
0,26 |
0,24 |
0,27 |
16,50 |
|
Pâncreas
(%) |
0,16ns |
0,16 |
|
0,16ns |
0,16 |
0,16 |
0,16 |
14,98 |
|
Intestino
delgado (%) |
3,06ns |
2,86 |
|
2,86ns |
2,90 |
2,83 |
3,29 |
15,25 |
|
Intestino
grosso (%) |
0,66ns |
0,64 |
|
0,71ns |
0,59 |
0,65 |
0,63 |
20,75 |
|
Intestino
delgado (cm) |
171ns |
171 |
|
172ns |
169 |
171 |
173 |
9,99 |
|
Intestino
grosso (cm) |
39ns |
39 |
|
40ns |
37 |
40 |
38 |
12,24 |
(1)Peso
relativo de órgãos (%) = (peso do órgão, g/peso vivo, g)*100. nsNão
significativo.
Não houve efeito do tipo de bokashi
adicionado à dieta, e nem interação entre tipo e nível de inclusão sobre os variáveis
morfométricas analisadas (Tabela 7). Não houve diferença significativa entre
níveis de inclusão de bokashi na ração para perímetro das vilosidades e
profundidade de cripta do duodeno, jejuno e íleo de frangos de corte aos 42
dias de idade; entretanto, o número de células caliciformes e a relação células
caliciformes/enterócitos no jejuno foram maiores para o tratamento com nível de
inclusão de bokashi de 4% e menor para o nível de 1,00%, não diferindo dos
demais tratamentos. Estes resultados sugerem um maior desafio para as aves
alimentadas com ração contendo 4,00% de bokashi, com conseqüente aumento de
células caliciformes, responsáveis pela proteção do epitélio intestinal.
Baseado no fato de que os enterócitos estão relacionados ao processo de digestão
que ocorre no intestino (Furlan, 2000), os dados acima citados sugerem que as
aves alimentadas com 1,00% de bokashi na ração apresentam um melhor
aproveitamento dos nutrientes, podendo assim, resultar em maiores ganhos de
peso para as aves. A mesma tendência pode ser observada no íleo, apesar de não
haver diferenças significativas entre os tratamentos.
Tabela 7. Perímetro das vilosidades, profundidade de cripta,
número de células caliciformes e relação caliciformes:enterócitos do duodeno,
jejuno e íleo de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo o tipo de
bokashi e o nível de inclusão.
|
Variáveis |
Tipo de Bokashi |
|
Nível de inclusão (%) |
C.V. |
||||
|
|
BC |
BF |
|
0,50 |
1,00 |
2,00 |
4,00 |
(%) |
|
Duodeno |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Perímetro (mm) |
3.354ns |
3.202 |
|
3.360ns |
3.133 |
3.415 |
22,26 |
|
|
Profundidade (mm) |
295ns |
264 |
|
290ns |
264 |
274 |
27,02 |
|
|
Caliciformes |
202ns |
207 |
|
194ns |
220 |
202 |
202 |
21,08 |
|
Cali/Enterócitos (%) |
40,38ns |
41,42 |
|
38,85ns |
44,07 |
40,33 |
40,50 |
21,08 |
|
Jejuno |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Perímetro (mm) |
2.532ns |
2.439 |
|
2.466ns |
2.371 |
2.757 |
25,87 |
|
|
Profundidade (mm) |
266ns |
231 |
|
260ns |
247 |
243 |
254 |
27,52 |
|
Caliciformes |
245ns |
259 |
|
256ab |
228b |
248ab |
276a |
14,14 |
|
Cali/Enterócitos (%) |
49,04ns |
51,82 |
|
51,22ab |
45,70b |
49,71ab |
55,16a |
14,14 |
|
Íleo |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Perímetro (mm) |
1.837ns |
1.818 |
|
1.857ns |
1.914 |
1.796 |
1.741 |
27,92 |
|
Profundidade (mm) |
202ns |
192 |
|
218ns |
183 |
183 |
204 |
38,29 |
|
Caliciformes |
274ns |
281 |
|
264ns |
270 |
276 |
301 |
14,70 |
|
Cali/Enterócitos (%) |
54,80ns |
56,16 |
|
52,72ns |
53,96 |
55,20 |
60,22 |
14,70 |
a,b
Médias na linha, seguidas de letras diferentes, diferem significativamente
entre si a 5% de
probabilidade. ns Não Significativo
Analisando os resultados é possível
observar uma tendência, suportada pelos índices de produtividade (Tabelas 2 e
3), rendimento de carcaça e partes (Tabelas 4 e 5) e morfometria intestinal
(Tabela 7), de que os melhores níveis de inclusão de bokashi na ração de
frangos de corte situem-se entre 0,50 e 1,00 %.
Comparando-se os tipos de bokashi,
observa-se que no período de 1-21 dias de idade o bokashi F melhorou a
conversão alimentar dos frangos, porém aos 42 dias de idade, as diferenças nos
resultados não são significativas para nenhuma das características estudas e os
valos numéricos do fator de produção estão muito próximos para aves que
receberam os dois tipos do bokashi, indicando que ambos podem ser utilizados na
alimentação de frangos de corte alternativos.
A inclusão de 4,00% parece oferecer níveis de desafio
mais altos a ponto de comprometer os resultados. As bactérias probióticas,
dependendo do tipo, podem induzir o organismo da ave a reconhecê-las como
agente infectante (Loddi,1998; Schwars, 2002). O bokashi no nível de 4,00% de
inclusão proporcionou menor consumo de ração até os 21 dias, menor valor para o
fator de produção aos 41 dias, maior número de células caliciformes e maior
relação caliciforme/enterócito no jejuno e, embora não significativos,
apresentou também maior mortalidade nos dois períodos analisados, menor
rendimento de carcaça aos 42 dias de idade, maior peso relativo do intestino
delgado, maior número de caliciformes e maior relação caliciforme/enterócitos
no íleo. Todos estes resultados são indicativos de que o nível de 4,00% de
inclusão de bokashi na dieta está
Pelos resultados obtidos nesta pesquisa, pode-se concluir que os melhores níveis de inclusão de bokashi na ração de frangos de corte situam-se entre 0,50 e 1,00 % e que o nível de 4,00%, embora não tenha afetado o desempenho das aves, parece ser excessivo, quando se consideram todas as variáveis analisadas. Os dois tipos de bokashi testados proporcionaram resultados semelhantes e podem ser utilizados na criação alternativa de frangos de corte
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CAPÍTULO III
USO
DE BOKASHI E ADITIVOS COMERCIAIS
Uso de bokashi e aditivos comerciais em dietas para frangos de corte criados no sistema alternativo
Resumo- Este trabalho objetivou avaliar
os efeitos da inclusão de dois tipos de Bokashi e outros aditivos comerciais no
desempenho de frangos de corte criados no sistema alternativo. Foram utilizados
2592 pintos de corte machos da linhagem Ross, com um dia de idade, distribuídos
em um delineamento em blocos casualizados com oito tratamentos (dietas contendo
BF- bokashi F, BC- bokashi C, PC- promotor de crescimento, PB- probiótico, SA-
saponinas, SAD- sem aditivos, ACI- ácido orgânico 1 e MOS +AC2-
mananoligossacarídeos + ácido orgânico 2), com 6 repetições de 54 aves cada (12
aves/m2). Para os períodos de
Termos para
indexação: aditivo, bokashi, criação alternativa,
frangos de corte, promotor de crescimento
Use of bokashi and commercials
additives in diets for broilers produced in alternative system
Abstract- This research
aimed at evaluating the effects of Bokashi and other additives supplementation
in broilers feed, raised on alternative system, based on growth performance.
Two thousand and five hundred and ninety two one-day-old chicks, Ross strain, were distributed in randomized blocks with
eight treatments (diets: SAD without growth additives, BF – supplemented with
bokashi F, BC – supplemented with common bokashi, PB – supplemented with
probiotic, AC1 – supplemented with organic acid 1, PC – supplemented with zinc
bacitracin, SA – supplemented with saponins and MOS+AC2 – supplemented with
organic acid 2 + mananoligossacharids), with six replicates of 54 birds each.
The data of performance were obtained at 21 and 42 days. For both periods the growth
performance promoter determined higher (p<0.05) final weight, weight gain,
and feed efficiency. The carcass yield was higher (p<0.05) in PC birds, when
compared with others treatments; however the used additives did not influence
in limbs yield. The use of bokashi F and bokashi C in comparison to other
additives that also can be used in the alternative production system, revealed effective ness,
therefore they did not modify the performance of the chickens, indicating that
the use of bokashi can be a valuable option in the production of alternatives
broilers. When compared to growth promoters of growth of antibiotic base, all
evaluated products determined bower performance of broilers.
Index
terms: additive, bokashi, alternative
rearing, broiler, growth promoter
Introdução
No Brasil, a partir da década de 90,
ocorreu uma evolução significativa nos modelos de produção agropecuária e de
alimentos para atender a requisitos específicos e diferenciados dos modelos convencionais.
A crescente demanda por alimentos saudáveis por parte de consumidores
interessados em produtos isentos de resíduos potencialmente nocivos à saúde,
fez com que algumas empresas pesquisassem alternativas para alimentar aves com
ingredientes mais naturais aos hábitos alimentares das espécies criadas. O
termo “consumo consciente” tornou-se cada vez mais comum e evoca um consumidor
que compra produtos que julga serem produzidos sob condições que preservam o
meio ambiente e que promovem o bem-estar dos indivíduos e da sociedade.
A criação
alternativa de frangos surgiu, então, como uma opção ao consumidor, sendo que o
termo “Frango Certificado Alternativo” designa frango de exploração intensiva,
criado sem o uso de antibióticos, anticoccidianos, promotores de crescimento,
quimioterápicos e ingredientes de origem animal na dieta, além de uma menor
densidade de aves por m², e de outros requisitos e normas aprovadas no âmbito
da Associação da Avicultura Alternativa, AVAL (Demattê Filho & Mendes, 2001).
Esta mesma norma foi apresentada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento a fim de que seja regulamentada para aplicação em âmbito
nacional.
A
crescente demanda por produtos “alternativos”, face às exigências de mercado e
às proibições do uso de alguns aditivos, tem provocado uma melhoria das
técnicas de criação desse segmento e dos resultados zootécnicos (Butolo, 2003),
porém os desafios são muitos e há necessidade de muitas pesquisas para
vencê-los. Novos aditivos vêm sendo
desenvolvidos e muitos já se encontram disponíveis no mercado, com o intuito de
melhorar as condições da mucosa intestinal, favorecendo o crescimento da
microbiota benéfica, em detrimento aos microrganismos indesejáveis. Dentre
estes destacam-se os probióticos e prebióticos, extratos e óleos essenciais de
plantas, ácidos orgânicos e enzimas (Penz, 1993) e as vacinas para coccidiose,
entre outros.
O bokashi reúne características de pré e probiose, além de conter produtos do metabolismo fermentativo dos microrganismos como ácidos orgânicos, açúcares, aminoácidos e enzimas. Além do bokashi feito para ser adicionado à ração das aves e para atuar como substituto aos promotores de crescimento, pode-se confeccioná-lo com matérias primas mais baratas para ser adicionado à cama dos aviários, promovendo uma redução da emissão de amônia pela cama (Yeo & Kim, 1997).
Safalaoh & Smith (2001) compararam o uso do bokashi EM
com o promotor de crescimento bacitracina de zinco (BZ) e encontraram taxas de
ganho de peso maiores nos tratamentos com BZ comparadas com as dietas sem BZ,
assim como observaram que as dietas com
O objetivo deste trabalho foi avaliar
os efeitos da inclusão de bokashi e outros aditivos no desempenho, rendimento
de carcaça e partes, peso de órgãos e morfometria do intestino de frangos de
corte criados no sistema alternativo.
Material e Métodos
Foram utilizados 2592 pintos de corte machos da linhagem Ross, com 1 dia
de idade, distribuídos em um delineamento em blocos inteiramente casualizados
com 8 tratamentos, referentes aos diferentes aditivos utilizados nas dietas (BF
- bokashi F, BC - bokashi C, PC - promotor de crescimento, PB - probiótico, SA
- saponinas, AC1 - ácido orgânico 1 e MOS+AC2 - mananoligossacarídeos + ácidos
orgânicos 2) e uma dieta sem aditivos (SAD), com 6 repetições de 54 aves cada.
As aves foram alojadas em um aviário experimental com 48 boxes de 1,5 x
O programa de arraçoamento foi dividido em quatro fases: pré-inicial (1-6), inicial (7-21), crescimento (22-35) e final (36-42 dias de idade). Os níveis nutricionais e a composição calculada das rações estão mostrados na Tabela1.
Tabela 1. Composição porcentual e valores calculados das rações experimentais.
|
Ingredientes |
Pré-inicial |
Inicial |
Crescimento |
Final |
|
Milho |
56,956 |
60,648 |
67,154 |
71,326 |
|
Levedura de cana 40% |
4,000 |
4,000 |
4,000 |
5,000 |
|
Soja integral extrusada |
10,000 |
11,800 |
14,500 |
17,800 |
|
Farelo de soja 46% |
25,400 |
20,100 |
11,000 |
3,100 |
|
Calcário |
1,250 |
1,250 |
1,300 |
1,300 |
|
Fosfato bicálcico |
1,400 |
1,300 |
1,100 |
0,800 |
|
Sal |
0,462 |
0,424 |
0,397 |
0,384 |
|
DL-metionina, 98% |
0,045 |
0,000 |
0,045 |
0,025 |
|
L-lisina, 98% |
0,030 |
0,020 |
0,045 |
0,005 |
|
Fitase3 |
0,007 |
0,008 |
0,009 |
0,010 |
|
Suplemento vitamínico1 |
0,400 |
0,400 |
0,400 |
0,200 |
|
Suplemento mineral2 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
0,050 |
|
Composição
Calculada |
|
|
|
|
|
EMA
(kcal/kg) |
2.999 |
3.069 |
3.180 |
3.280 |
|
PB
(%) |
22,01 |
20,58 |
17,99 |
16,38 |
|
FB
(%) |
3,50 |
3,36 |
3,10 |
2,92 |
|
MM
(%) |
5,57 |
5,27 |
4,77 |
4,28 |
|
Ca (%) |
1,01 |
0,99 |
0,95 |
0,88 |
|
Pd (%) |
0,47 |
0,46 |
0,43 |
0,38 |
|
Lisina |
1,28 |
1,17 |
1,00 |
0,86 |
|
Metionina |
0,59 |
0,53 |
0,49 |
0,39 |
|
Metionina + Cistina |
0,93 |
0,85 |
0,77 |
0,65 |
|
Extrato etéreo (%) |
5,11 |
5,54 |
6,21 |
6,96 |
|
Ácido linoléico (%) |
2,03 |
2,23 |
2,56 |
2,90 |
1 Suplemento vitamínico (fornecimento por kg de ração):
Inicial: vitamina A, 12000 UI; vitamina D3, 2400 UI; vitamina E, 48,50
mg; vitamina K3, 1,60 mg; vitamina B1, 2,80 mg; vitamina B2, 7,00 mg; vitamina
B6, 3,20 mg; vitamina B12, 14,40 mcg ; niacina, 36,00 mg; ácido pantotênico,
14,00 mg; ácido fólico, 1,00 mg; colina, 750,00 mg; lisina, 1050,00 mg;
metionina, 1828,00 mg; selênio, 0,30 mg; aditivo antioxidante,
A descrição e os níveis de inclusão dos diferentes aditivos estão
descritos na Tabela 2.
Tabela 2. Níveis de inclusão (%) dos aditivos às rações experimentais.
|
Tratamento |
Pré-inicial |
Inicial |
Crescimento |
Final |
|
Bokashi F (BF) |
1,00 |
1,00 |
1,00 |
1,00 |
|
Bokashi C (BC) |
1,00 |
1,00 |
1,00 |
1,00 |
|
Promotor de crescimento (PC) |
0,1001 |
0,1002 |
0,1003 |
0,1004 |
|
Probiótico (PB)5 |
0,015 |
0,015 |
0,015 |
0,015 |
|
Saponina (SAP)6 |
0,015 |
0,015 |
0,015 |
0,015 |
|
Sem Aditivo (SAD) |
- |
- |
- |
- |
|
Ácido Orgânico (AC1)7 |
1,00 |
1,00 |
- |
- |
|
MOS+Ácidos Orgânicos (MOS+AC2) |
0,2008 |
0,2009 |
0,15010 |
- |
1 Níveis por 1000g do produto: nicarbazina (8g) e oxitetraciclina
(24g).
2 Níveis por 1000g do produto: salinomicina (22g),
bacitracina de zinco (25g) e olaquindox (16g).
3 Níveis por 1000g do produto: lasalocida (57g),
bacitracina de zinco (50g) e olaquindox (38g).
4 Níveis por 1000g do produto: olaquindox (22g).
5 Bacilus subtillis (109
U.F.C).
6 Extrato de Quillaja saponaria.
7 Mistura de ácidos orgânicos: ácido propiônico, ácido
acético e ácido fórmico.
8 Mistura mannoligossacarídeos + levedura spray dry
(1/1).
9 500g da mistura mannoligossacarídeos + levedura
spray dry (1/1) + 150g de ácido propiônico + 150g de ácido fórmico + 200g
veículo q.s.p.
10 500g da mistura mannoligossacarídeos + levedura
spray dry (1/1) + 300g de ácido propiônico + 300g de ácido fórmico + 400g de
veículo q.s.p.
Os dados de desempenho foram obtidos para os períodos acumulados de
Para determinação do rendimento de carcaça e partes e gordura abdominal, aos 42 dias de idade foram retiradas 5 aves por boxe, sendo 30 aves por tratamento, totalizando 240 aves, as quais foram identificadas individualmente por anilhas em uma das patas e passaram por um período de 8 horas de jejum antes do abate, que foi realizado no abatedouro da FMVZ, UNESP – Campus de Botucatu.
Após a evisceração e retirada da gordura aderida na cavidade abdominal e sem passar pelo “chiller”, as carcaças sem pés, cabeça, pescoço e vísceras comestíveis foram pesadas e o rendimento de carcaça calculado em relação ao peso vivo antes do abate. Posteriormente, as carcaças foram cortadas por procedimentos do tipo industrial e foram obtidos os seguintes rendimentos de partes em relação ao peso da carcaça: rendimento de peito, pernas (comumente denominadas coxa e sobrecoxa), dorso e asas (Mendes, 1990). O rendimento de pés, cabeça + pescoço e gordura abdominal (retirada da cavidade abdominal e da moela) foram obtidos em relação ao peso vivo antes do abate (Sartori et al., 1997).
Para obtenção dos dados de peso de
órgãos e morfologia intestinal, aos 42 dias de idade, duas aves por boxe foram
pesadas e sacrificadas por deslocamento da articulação crânio-cervical,
totalizando 10 aves/tratamento para colheita dos seguintes órgãos: fígado,
pró-ventrículo, moela, pâncreas, intestino delgado e intestino grosso. Fígado e
pâncreas foram pesados imediatamente após terem sido retirados. Proventrículo e
moela foram abertos e pesados após remoção do conteúdo. Os intestinos delgado e
grosso foram separados por secções no local onde o duodeno emerge da moela e na
junção íleo-ceco-cólica, pesados e medidos. Para o comprimento do intestino
grosso foi considerado o comprimento do cólon e reto somado ao comprimento dos
cecos.
Para as análises histológicas foram colhidos dois segmentos
de
A análise estatística dos dados de desempenho, rendimento de carcaça, partes e gordura abdominal e morfometria intestinal foram efetuadas pelo método da análise de variância com o auxílio do procedimento GLM do Sas (1996). Quando necessário, as médias foram comparadas pelo teste de Student-Newman-Keuls (SNK) ao nível de significância de 5%.
Nos
períodos de 1-21 e 1-42 dias de idade, as aves que receberam dieta com promotor
de crescimento apresentaram maiores peso final, ganho de peso diário e melhor
conversão alimentar (p<0,05), quando comparadas às que receberam dietas com
outros aditivos. No período de 1-21 dias de idade, o consumo de ração foi maior
nas aves PC e BC, quando comparado ao das BF, que por sua vez foi superior aos
demais tratamentos (Tabela 3). Para o período de 1-42 dias de idade, menores
valores de consumo de ração foram observados para aves que receberam dietas PB,
SAD e MOS+AC2. Estes resultados diferem dos encontrados por Safalaoh & Smith (2001) que encontraram maior consumo
de ração para aves que receberam 3,00% de bokashi e piores para as que
receberam 1,50% de bokashi e/ou bacitracina de zinco. Mas não houve diferenças
significativas entre os tratamentos para conversão alimentar. Já para ganho de
peso, o tratamento com bokashi a 3,00% não diferiu do que continha antibiótico
na ração, mas esses foram maiores em relação ao grupo controle.
Loddi et
al. (1998) observaram que para o período de
Tabela 3. Peso inicial (PI), peso final
(PF), ganho de peso (GP), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração (CR),
conversão alimentar (CA) e mortalidade (MORT) nos períodos de
|
Variáveis |
Tratamentos1 |
C.V. |
|||||||
|
|
PC |
BF |
BC |
PB |
SAP |
AC1 |
MOS +AC2 |
SAD |
(%) |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
||
|
PI, g |
43,9 |
43,8 |
43,8 |
43,9 |
43,9 |
43,7 |
44,0 |
0,42 |
|
|
PF, g |
905a |
776b |
796b |
783b |
754b |
760b |
770b |
3,11 |
|
|
GP, g |
861a |
732b |
752b |
735b |
739b |
710b |
716b |
726b |
3,29 |
|
GPD, g |
41a |
35b |
36b |
35b |
35b |
34b |
34b |
34b |
3,29 |
|
CR, g |
1.158a |
1.101b |
1.145a |
1.036c |
1.054c |
1.034c |
1.022c |
1.036c |
2,81 |
|
CA, g/g |
1,351d |
1,509ab |
1,532a |
1,427c |
1,436c |
1,466bc |
1,437c |
1,440c |
2,65 |
|
MORT, % |
2,56 |
1,28 |
2,56 |
3,52 |
1,92 |
3,20 |
1,60 |
3,20 |
42,42 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|||
|
PF, g |
2.480a |
2.357b |
2.364b |
2.313b |
2.337b |
2.266b |
2.280b |
2,62 |
|
|
GP, g |
2.436a |
2.314b |
2.320b |
2.257b |
2.269b |
2.293b |
2.223b |
2.236b |
2,67 |
|
GPD, g |
58a |
55b |
55b |
54b |
54b |
55b |
53b |
53b |
2,67 |
|
CR, g |
4.401a |
4.355a |
4.344a |
4.172c |
4.291abc |
4.315ab |
4.168c |
4.209bc |
1,90 |
|
CA, g/g |
1,830b |
1,888a |
1,900a |
1,888a |
1,902a |
1,895a |
1,900a |
1,901a |
1,61 |
|
MORT, % |
6,41 |
3,85 |
6,41 |
7,05 |
3,21 |
5,13 |
5,45 |
4,81 |
33,63 |
|
FP2 |
296a |
281ab |
272b |
265b |
275b |
273b |
263b |
267b |
5,27 |
1 PC = promotor de crescimento; BF = bokashi
F; BC = bokashi C; PB = probiótico; SAP = saponina; AC1 = ácido orgânico;
MOS+AC2 = MOS + Ácidos Orgânicos; SAD = sem aditivo;
2 Fator de Produção = ((GPD x Viabilidade)/CA) x 100;
a,b Médias na linha, seguidas de letras
diferentes, diferem significativamente entre si (p<0,05) pelo teste de SNK.
Dionisio et al. (2002) não
observaram diferenças em ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar
para frangos de corte que receberam prebióticos (FOS) comparados aos que receberam
avilamicina (10 ppm) nos períodos de
Maiorka et
al. (2001) observaram que a conversão alimentar foi influenciada pela
utilização de aditivos, com os melhores valores observados para aves que
receberam antibiótico ou prebiótico, seguidas daquelas que receberam probiótico
e simbiótico e as aves que não receberam qualquer tipo de aditivo apresentaram
a pior conversão alimentar. Nas condições do experimento as dietas controles
não mostraram diferenças significativas dos aditivos não antibióticos no
período de
Não houve
efeito do aditivo sobre a mortalidade nos dois períodos analisados. Este
resultado difere dos encontrados por outros pesquisadores, tais como Dahal
(2001), o qual observou que o uso de bokashi-EM na produção de frangos de
corte, reduziu a mortalidade em 8% quando comparado ao grupo controle e,
Henrique et al. (1998a), que, analisando o uso de probióticos Biobac®,
Calsporin-Bs® e dos antibióticos virginiamicina e avoparcina como promotores de
crescimento, verificaram redução significativa (p<0,01) da mortalidade para
os tratamentos que receberam probiótico e aumento na mortalidade dos que
receberam antibióticos. Em outro trabalho, Henrique et al. (1998b) estudando o
efeito de ácido fumárico, probiótico Biobac® e avoparcina sobre o desempenho de
frangos de corte, verificaram que o fator de produção e a mortalidade, embora
não significativos, foram melhores para o tratamento com probiótico.
Aos 42 dias de idade, o maior (p<0,05)
fator de produção foi observado nas aves com dieta PC em relação aos outros
tratamentos, com exceção do BF, cujo valor do FP não diferiu do PC (Tabela 3).
Não houve diferença significativa entre os demais tratamentos e o grupo
controle sem aditivo para o fator de produção, discordando dos resultados
encontrados por outros pesquisadores que verificaram que a inclusão de
prebióticos (MOS), antibióticos e probióticos aumentaram o fator de produção
quando comparados ao grupo controle (Campos et al., 2002; Rostagno et al.,
2003).
Embora
não significativos os valores de fatores de produção encontrados para os grupos
que receberam adição de saponina, ácido orgânico e bokashi C foram superiores
aos fatores de produção das aves que receberam ração sem aditivos.
O
rendimento de carcaça foi maior (p<0,05) nas aves do tratamento PC, que nos
demais tratamentos, porém o aditivo utilizado não influenciou o rendimento das
partes (Tabela 4). Moreira et al. (2001) avaliando o efeito de probióticos
sobre rendimento de carcaça e partes não encontraram diferença para o
rendimento de carcaça, porém encontraram maior rendimento de peito (p<0,05)
nas aves cuja ração foi tratada com promotores químicos de base antibiótica
quando comparadas com o controle e com as aves tratadas com probióticos. Loddi
(1998) encontrou interação significativa (p<0,05) para rendimento de carcaça
entre probiótico e antibiótico, obtendo um maior rendimento quando do uso
associado da avoparcina e com probióticos (Enterococcus faecium).
Discordando dos resultados do presente experimento, Corrêa et al. (2003) não
encontraram diferenças no rendimento de carcaça avaliando a inclusão de dois
tipos de probióticos, um de cepa única (Bacillus subtilis) e outro de
cepas mistas (Lactobacillus acidophilus e casei, Estreptococcus
salivarium e faecium, Bacillus subtilis e toyoi e Saccharomyces
cerevisae) e o antibiótico bacitracina de zinco na ração de frangos de
corte. Em um experimento semelhante, porém em suínos, Quadros et al. (2001)
encontraram melhores resultados (p<0,05) nas variáveis quebra de transporte
e rendimento de carcaça quente nos animais tratados com probiótico de cepa
única e poliprobióticos quando comparados com os animais que receberam ração
controle e ração comercial.
Tabela 4. Rendimento de carcaça, partes e
gordura abdominal de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo inclusão de
aditivo.
|
Variáveis |
Tratamentos1 |
C.V. |
|||||||
|
|
PC |
BF |
BC |
PB |
SAP |
AC1 |
MOS+AC2 |
SAD |
(%) |
|
Peso vivo, g |
2.453a |
2.310b |
2.311b |
2.349b |
2.247b |
2.247b |
2.284b |
7,18 |
|
|
Carcaça eviscerada, %2 |
70,44a |
68,37b |
68,94b |
68,81b |
68,03b |
68,61b |
68,88b |
2,83 |
|
|
Cabeça e pescoço, %2 |
6,01 |
6,14 |
6,07 |
6,00 |
5,94 |
6,15 |
6,08 |
8,28 |
|
|
Pés, %2 |
4,09 |
4,14 |
4,14 |
4,24 |
4,14 |
4,25 |
4,20 |
4,18 |
9,72 |
|
Gordura abdominal, %2 |
2,08 |
2,10 |
2,17 |
1,99 |
2,00 |
1,98 |
1,92 |
2,00 |
22,33 |
|
Asas, %3 |
11,66 |
12,01 |
11,87 |
11,87 |
11,78 |
11,78 |
12,08 |
11,84 |
6,38 |
|
Peito, %3 |
32,81 |
32,64 |
32,58 |
32,63 |
32,61 |
33,21 |
32,18 |
32,78 |
5,02 |
|
Pernas, %3 |
31,93 |
32,22 |
32,36 |
32,53 |
32,34 |
32,36 |
32,41 |
32,53 |
6,38 |
|
Dorso, %3 |
22,66 |
22,54 |
22,63 |
22,35 |
22,62 |
22,25 |
22,80 |
22,29 |
6,38 |
1 PC = promotor de crescimento; BF =
bokashi F; BC = bokashi C; PB = probiótico; SAP = saponina; AC1 = ácido orgânico;
MOS+AC2 = MOS + Ácidos Orgânicos; SAD = sem aditivo;
2 Rendimento de carcaça eviscerada, cabeça e pescoço, pés ou gordura abdominal (%) = (peso da carcaça eviscerada, cabeça e pescoço, pés ou da gordura abdominal, g/peso vivo, g)x100;
3 Rendimento das partes (%) = (peso das partes, g/peso da carcaça eviscerada, g)x100;
a,b Médias na linha, seguidas de letras diferentes, diferem significativamente entre si (p<0,05) pelo teste de SNK.
Dionizio et al. (2002)
não encontraram diferenças no rendimento de carcaças ao avaliar a inclusão de
quatro tipos de prebióticos e um antibiótico em dietas de frangos de corte.
Maiorka et al. (2001) não encontraram influência dos aditivos estudados
(probiótico, prebiótico, simbiótico e promotores de base antibiótica) na dieta
de frangos de corte para o rendimento de carcaça e partes. Oba et al. (2003)
observaram que a adição de
Os pesos relativos do proventrículo e do pâncreas foram menores para as aves que receberam ração contendo promotores de crescimento (Tabela 5). No entanto, o peso relativo do pâncreas para as aves do tratamento com bokashi C e com MOS + AC2 não diferiram daqueles encontrados para o grupo com promotores de crescimento.
Tabela
5. Peso relativo de órgãos*(%) e comprimento (cm) do intestino delgado e do intestino
grosso de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo a inclusão de
aditivos.
|
Variáveis |
Tratamentos1 |
C.V. |
|||||||
|
|
PC |
BF |
BC |
PB |
SAP |
AC1 |
MOS+AC2 |
SAD |
(%) |
|
Coração, % |
0,38 |
0,46 |
0,44 |
0,42 |
0,41 |
0,44 |
0,45 |
12,27 |
|
|
Moela, % |
1,52 |
1,88 |
1,72 |
1,73 |
1,73 |
1,71 |
1,67 |
1,76 |
15,05 |
|
Fígado, % |
1,64 |
1,84 |
1,67 |
1,91 |
1,83 |
1,89 |
1,78 |
1,85 |
8,33 |
|
Pró ventrículo, % |
0,22b |
0,29a |
0,29a |
0,31a |
0,31a |
0,29a |
0,29a |
0,30a |
11,90 |
|
Pâncreas, % |
0,15b |
0,21a |
0,20ab |
0,22a |
0,23a |
0,23a |
0,20ab |
0,21a |
19,00 |
|
Intestino delgado, % |
2,84c |
3,62ab |
3,23bc |
4,10a |
3,58ab |
3,78ab |
3,69ab |
3,46ab |
11,87 |
|
Intestino grosso, % |
0,75 |
0,77 |
0,77 |
0,85 |
0,81 |
0,74 |
0,75 |
0,80 |
15,77 |
|
Intestino delgado, cm |
178 |
193 |
180 |
196 |
189 |
187 |
179 |
178 |
10,40 |
|
Intestino grosso, cm |
43 |
46 |
46 |
48 |
47 |
46 |
44 |
46 |
9,84 |
* Peso relativo de órgãos (%) = (peso do órgão, g/peso vivo, g)*100;
1 PC = promotor de crescimento; BF =
bokashi F; BC = bokashi C; PB = probiótico; SAP = saponina; AC1 = ácido
orgânico; MOS+AC2 = MOS + Ácidos Orgânicos; SAD = sem aditivo;
a,b Médias na linha, seguidas de letras diferentes, diferem significativamente entre si (p<0,05) pelo teste de SNK
O peso relativo do intestino delgado das aves com dietas
contendo promotor de crescimento não diferiu daquelas com bokashi C, porém foi
significativamente (p<0,05) menor em relação aos demais, sugerindo uma
melhor condição de integridade intestinal (Tabela 5). Discordando dos
resultados obtidos no presente trabalho, Sato et al. (2002) não verificaram
diferenças entre os tratamentos para o peso e comprimento do trato intestinal
de frangos de corte, ao avaliar o uso de antibióticos e/ou probióticos como
promotores de crescimento.
Os dados de morfometria intestinal do duodeno, jejuno e íleo de frangos
de corte aos 42 dias de idade, estão apresentados na Tabela 6. Não houve
efeito de aditivo sobre o perímetro das vilosidades, número de células
caliciformes e relação caliciformes/enterócitos do duodeno, jejuno e íleo de
frangos de corte aos 42 dias de idade. A profundidade de cripta do jejuno foi
maior (p<0,05) para o grupo que recebeu ração contendo MOS + AC2 e menor
para os tratamentos alimentados com bokashi C e promotor de crescimento, não
diferindo dos demais tratamentos (Tabela 6). Estes resultados sugerem maior
integridade do tecido intestinal para os tratamentos contendo bokashi C e
promotor, podendo explicar os resultados obtidos para peso de intestino delgado
(Tabela 5). Resultados diferentes foram encontrados por Loddi (1998), que não
observou diferenças significativas para aves alimentadas com ração contendo
avoparcina e/ou probiótico. Lima (2000) também não encontrou diferenças
significativas para altura de vilosidade e profundidade de cripta para aves
alimentadas com ração sem aditivo, com probióticos ou com enzimas aos 42 dias
de idade. No entanto, Schwarz (2002), avaliando o efeito de vários aditivos
sobre as características morfométricas das vilosidades intestinais do jejuno em
frangos de corte aos 45 dias de idade, encontraram resultados diferentes dos
obtidos no presente trabalho, sendo que o tratamento com extrato vegetal de
saponinas apresentou maior altura de vilosidade e menor profundidade de cripta,
seguido do tratamento com probiótico e extrato vegetal de saponinas e,
acompanhado de menor altura de vilosidades intestinais de frangos alimentados com
ração contendo antibiótico. Pelicano
et al. (2003) observaram diferenças significativas (<0,01) para
altura e perímetro das vilosidades do duodeno aos 42 dias de idade de frangos
de corte, sendo que o grupo controle apresentou menor altura e perímetro de
vilosidade em relação aos que receberam probióticos e, não houve efeito de
aditivo sobre a profundidade de criptas nas diferentes partes do intestino
delgado.
Tabela
6. Perímetro das vilosidades (mm),
profundidade de cripta (mm), número
de células caliciformes e relação caliciformes/enterócitos (%) do duodeno,
jejuno e íleo de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo a inclusão de
aditivos.
|
Variáveis |
Tratamentos1 |
C.V. |
|||||||
|
|
PC |
BF |
BC |
PB |
SAP |
AC1 |
MOS + AC2 |
SAD |
(%) |
|
Duodeno |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Perímetro, mm |
3.318 |
3.622 |
3.656 |
3.706 |
3.826 |
3.718 |
3.671 |
16,15 |
|
|
Profundidade, mm |
314 |
291 |
286 |
364 |
307 |
379 |
378 |
351 |
23,72 |
|
Caliciformes |
185 |
196 |
191 |
172 |
188 |
200 |
204 |
186 |
19,41 |
|
Cali/Enterócito, % |
37,03 |
39,20 |
38,23 |
34,30 |
37,70 |
40,04 |
40,80 |
37,23 |
19,41 |
|
Jejuno |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Perímetro, mm |
2.530 |
2.534 |
2.557 |
2.781 |
2.592 |
2.845 |
2.818 |
2.584 |
17,93 |
|
Profundidade, mm |
246b |
330ab |
233b |
355ab |
342ab |
340ab |
409a |
338ab |
23,54 |
|
Caliciformes |
229 |
254 |
256 |
230 |
217 |
235 |
244 |
234 |
11,91 |
|
Cali/Enterócito, % |
45,83 |
50,87 |
51,10 |
45,90 |
43,43 |
47,00 |
48,70 |
46,80 |
11,91 |
|
Íleo |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Perímetro, mm |
1.810 |
1.781 |
1.833 |
1.834 |
2.023 |
1.860 |
1.864 |
1.848 |
18,03 |
|
Profundidade, mm |
170 |
209 |
173 |
228 |
190 |
177 |
225 |
198 |
20,99 |
|
Caliciformes |
259 |
258 |
247 |
242 |
243 |
262 |
273 |
257 |
10,07 |
|
Cali/Enterócito, % |
51,87 |
51,67 |
49,40 |
48,30 |
48,56 |
52,50 |
54,67 |
51,43 |
10,07 |
1 PC = promotor de crescimento; BF =
bokashi F; BC = bokashi C; PB = probiótico; SAP = saponina; AC1 = ácido orgânico;
MOS+AC2 = MOS + Ácidos Orgânicos; SAD = sem aditivo;
a,b Médias na linha, seguidas de letras diferentes, diferem
significativamente entre si (p<0,05) pelo teste de SNK
O uso de bokashi, em comparação a outros aditivos que também podem ser utilizados no sistema de criação alternativo, mostrou-se efetivo, pois não alterou o desempenho das aves em comparação a estes, indicando que o uso de bokashi pode ser uma valiosa opção na criação de frangos de corte alternativos. Dentre os aditivos possíveis de serem utilizados nas dietas para criação alternativa de frangos de corte avaliados neste experimento, o Bokashi F foi o que apresentou melhores resultados zootécnicos. Quando comparados aos promotores de crescimento de base antibiótica, todos os produtos testados determinaram menor desempenho dos frangos de corte.
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CAPÍTULO IV
IMPLICAÇÕES
O conhecimento sobre resistência
bacteriana aos antibióticos de uso em humanos e na produção animal tem contribuído
para o desenvolvimento da percepção dos consumidores de que uma alternativa aos
antibióticos deve ser identificada. Cada vez mais é possível verificar que as pessoas estão menos
tolerantes com tudo o que possa ser considerado resíduo no alimento ou que
possa causar dano à saúde.
Apesar do avanço da medicina, as
doenças se avolumam e segundo relatórios recentes da OMS, já vivemos sob o
risco de pandemias em seres humanos. Com relação aos animais que produzem
alimentos, os riscos de epidemias são ainda maiores e sua influência na saúde
humana verificada em episódios recentes como o mal da vaca louca, SARS e a
influenza aviária. Nesta última é possível que as más condições sanitárias de
alguns países no Oriente predispuseram o agravamento da doença; entretanto
danos significativos foram causados em países considerados modelos em matéria
de biossegurança e defesa sanitária animal.
Baseado nestes fatos acredita-se que
os modelos atuais de produção avícola são insalubres aos animais e
conseqüentemente aos homens, pois não trazem em si o princípio de
sustentabilidade, ou seja, não poderão ser repetidos indefinidamente, pois
apesar de eficientes produzem animais com certo grau de deficiência
imunológica. Mesmo considerando que a não utilização de antibióticos e
quimioterápicos possa trazer decréscimo nos resultados zootécnicos, é
necessário quantificar o custo de produção de animais, que de uma ou outra
forma, dependam de algum tipo de proteção medicamentosa. Em plantas já é
possível verificar que culturas desenvolvidas sem a utilização de defensivos
químicos possuem características nutricionais mais interessantes para seres
humanos. Alguns microelementos encontram-se em quantidades maiores nas plantas
produzidas naturalmente, e isto ocorre por processo natural, o da necessidade
que a planta tem de se defender dos desafios, além de construir seus tecidos de
maneira plena através de seus ciclos normais. Talvez processos semelhantes
ocorram em animais, de forma que seria interessante avaliar o status imunológico
de aves com e sem promotores.
Em vários anos de trabalho com aves
alimentadas com dietas isentas de promotores de crescimento e de quaisquer
outros tipos de medicamentos, tem-se verificado índices de condenação de
carcaças menores do que os apresentados por outros abatedouros e do que a média
de condenações apontadas pelos serviços oficiais federais no Estado de São
Paulo.
É comum ouvir que o não uso dos
promotores de crescimento antibióticos pode aumentar a incidência de salmonela
e outros patógenos nas aves e conseqüentemente nas carcaças; entretanto isso
parece não ocorrer. Faz-se necessário um maior período para se ter mais dados,
porém preliminarmente tem-se observado uma menor incidência de salmonela nas
carcaças produzidas pela Korin Agropecuária Ltda. Isto tem sido verificado
recentemente através do monitoramento implantado pelo Ministério da Agricultura
em todos os abatedouros com inspeção federal. Na Dinamarca, estudos envolvendo
grande número de amostras encontraram um decréscimo na presença de salmonela
nas produções isentas de promotores de crescimento de base antibiótica, quando
comparadas às produções que os utilizam.
Os microrganismos probióticos assim
como todos os produtos que possam favorecê-los despontam como uma boa saída
para esta questão; entretanto um nível de conhecimento muito mais profundo
sobre a fisiologia e inter-relações dos mesmos com o ambiente interno e externo
às aves e também com o meio ambiente em geral, será necessário para gerar
viabilidade econômica na utilização em escala destes produtos, pois atualmente
apesar de satisfatórios, os resultados zootécnicos com o uso desses aditivos
são inferiores quando comparados com os promotores de base antibiótica. Nos
níveis atuais sabe-se que a não utilização dos antibióticos em frangos de corte
têm impacto negativo nos custos de produção, sendo, portanto, viáveis apenas
para produções específicas e com o devido apelo mercadológico e informativo
junto aos consumidores, garantindo assim preços diferenciados ao produto final.
Entretanto, estas alternativas não
podem ser consideradas apenas com uma substituição aos antibióticos. Mais do
que combater patógenos, torna-se necessário compreender a dinâmica destas
populações e analisar o papel que cumprem na natureza. Com efeito, tudo que existe
possui intrinsecamente sua missão. Essa compreensão é uma valiosa contribuição
da filosofia de Mokiti Okada para a produção de alimentos de origem animal ou
vegetal.
Condições de manejo, instalações e aditivos que proporcionem um ambiente mais saudável aos animais serão marcantes para o desenvolvimento da Avicultura nos próximos anos, pois será fundamental a utilização de métodos que diminuam os desafios e que proporcionem o bem-estar das aves e conseqüentemente, otimizem o funcionamento dos sistemas orgânicos, principalmente o sistema imunológico.